Problematizando o uso dos jogos e das brincadeiras na educação das crianças de 0 a 6 anos: uma análise de propostas exemplares
Os jogos e as brincadeiras para ensinar conteúdos ocupam lugar de destaque nas práticas educativas institucionais, principalmente, naquelas voltadas para a educação das crianças de 0 a 6 anos. Diante do valor inconteste que assumem tais ações nas atividades diárias das crianças, esta pesquisa tem co...
| Autor: | |
|---|---|
| Tipo de recurso: | tesis doctoral |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2009 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-01092009-135600 |
| Acceso en línea: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-01092009-135600/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | brincadeiras childhood childrens play discourse discurso games infância jogos |
| Sumario: | Os jogos e as brincadeiras para ensinar conteúdos ocupam lugar de destaque nas práticas educativas institucionais, principalmente, naquelas voltadas para a educação das crianças de 0 a 6 anos. Diante do valor inconteste que assumem tais ações nas atividades diárias das crianças, esta pesquisa tem como objetivos problematizar como se constituiu e engendrou o discurso moderno sobre o papel educativo dos jogos e brincadeiras, quais sentidos foram atribuídos a eles e indagar sobre seus possíveis efeitos. Para tanto, o período histórico investigado está demarcado pelas fontes escolhidas: os dois volumes da Revista do Jardim da Infância, de 1896 e 1897 e, os três volumes do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, de 1998. A opção por tais fontes deve-se ao reconhecimento do valor que ambos os documentos imprimiram na definição dos contornos das práticas dirigidas aos pequenos, em especial aquelas que envolvem os jogos e brincadeiras. Reunimos, portanto, um conjunto de documentos, que pelas nossas hipóteses nos permitiriam identificar discursos e práticas que associassem os objetos em questão. Por tratar-se de pesquisa que buscou interrogar discursos/documentos de um dado momento do passado, procuramos olhá-los como sinais daquela época, como portadores de concepções e não como depositários de uma verdade. Neste sentido, analisamos o texto dos documentos em seu conteúdo voltado para a indicação de como organizar e conduzir as atividades com as crianças, utilizando jogos e brincadeiras com vistas a trabalhar conceitos, valores e modos de se comportar. Pelas análises empreendidas foi possível reconhecer que historicamente ciências como a Psicologia e a Pedagogia vêm reforçando a ideia de que os jogos e o brincar são importantes instrumentos para a aprendizagem. Assim, nossa investigação assinala que a compreensão atual sobre o papel educativo das brincadeiras e jogos e práticas a eles associadas exige o reconhecimento de sua historicidade, das estratégias de potencialização e de sua relação com os discursos. Além disso, é preciso considerar que a associação do adjetivo educativo às práticas lúdicas não aconteceu sem intenção, mas se constituiu como mais uma estratégia, envolvida em relações de poder e saber a qual visava o governo dos sujeitos infantis, que se entrelaçou e encontrou força dentro da visão de infância e das instituições destinadas à sua educação cunhadas na modernidade. Por tudo isso, as práticas ligadas ao brincar, ao brinquedo e aos jogos, dirigidas à infância, na medida em que são associadas às aprendizagens, podem cumprir a função de confinar a criatividade, evitar desestabilizações, construir subjetividades, governar os pequenos. Isso quer dizer que tais objetos e práticas, como produtos sociais e históricos, podem produzir o que nós somos e construir o ser social e cultural de uma maneira complexa e determinada. |
|---|