Processos educativos formais e não formais na constituição das identidades quilombolas: o caso do Kaonge

A pesquisa apresentada busca construir interpretações acerca dos processos e práticas educativas constituintes das identidades quilombolas na comunidade negrorural-quilombola do Kaonge. A presente investigação pretendeu atender aos objetivos de: i) identificar elementos na educação formal e não form...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Barbosa, Júlio Cézar da Silva
Tipo de documento: dissertação
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2013
País:Brasil
Recursos:Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
Repositório:Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEB
Idioma:português
OAI Identifier:oai:saberaberto.uneb.br:20.500.11896/3017
Acesso em linha:https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/3017
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Quilombo
Processos Educativos Formais e não Formais
Educação Quilombola
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Rabinovich, Elaine Pedreira
Messeder, Marcos Luciano Lopes
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description A pesquisa apresentada busca construir interpretações acerca dos processos e práticas educativas constituintes das identidades quilombolas na comunidade negrorural-quilombola do Kaonge. A presente investigação pretendeu atender aos objetivos de: i) identificar elementos na educação formal e não formal, numa comunidade quilombola, que colaboram para a afirmação destas identidades, assim como ii) analisar a contribuição da educação formal no processo de construção da identidade quilombola; iii) conhecer as práticas pedagógicas e as condições de ensinagem ↔ aprendizagem realizadas pela Escola Municipal do Kaonge e iv) investigar os processos de transmissão↔manutenção da cultura e linguagens africano-brasileiras como instrumento de afirmação das identidades quilombolas. Para esta investigação, fez-se o uso da etnopesquisa crítica (MACEDO, 2004), também conhecida como abordagem do tipo etnográfico (ANDRÉ, 1995). Esta, por sua vez, é inspirada na etnografia que tanto pode significar “descrição densa” (GEERTZ, 2011), “descrição cultural” (ANDRÉ, 1995,) quanto “descrição de um povo” (AGROSINO, 2009). As técnicas utilizadas passaram pela observação participante (MINAYO, 2012), (LÜDKE; ANDRÉ, 1986), (AGROSINO, 2009), entrevistas semi-estruturadas, que ajudaram a “documentar o não-documentado” (ANDRÉ, 1995), a escuta sensível (BARBIER, 2002), que se mostrou eficaz e eficiente permitindo que as interpretações fossem levantadas segundo o que foi narrado pelo interlocutor, em dada situação discursiva e, por fim, anotações no caderno de campo. A coleta de dados, também, se deu a partir de análise de documentos, desde os elaborados pelo INCRA, passando pelo Projeto Político Pedagógico da escola, pelo Currículo Oficial e a matriz curricular, até os Projetos de unidades letivas. No que se refere a educação não formal, a análise passa pelos Projetos de monitorias e oficinas (de teatro, músicas, vídeos etc.). Além destes, foram feitas análises de documentários sobre os festejos religiosos produzidos pela TV UFBA. A pesquisa apontou que as aprendizagens acontecem em distintas situações da vida comunal dos quilombolas. No entanto, os processos e práticas educativas não formais contribuem efetivamente para a construção das identidades quando comparada com a educação formal. Os festejos religiosos, as atividades político-educativas, principalmente as oficinas de teatro, dança e vídeos são importantíssimas para o debate das realidades locais, formação de novas mentalidades, orientações para se propor uma educação antirracista e mais equânime. Embora a educação formal dialogue, em vários momentos, com a cultura local, a escola precisa repensar seu currículo com vistas a atender as diretrizes de uma educação escolar quilombola, na perspectiva de refletir cotidianamente as questões locais. Certamente, a presença de uma Matriz e/ou diretriz(es) escolar quilombola direcione os processos, ações e práticas escolares de forma mais efetiva com as realidades quilombolas desse Brasil- quilombola. Logo, é importante que a Secretaria de Educação do Município ofereça estudos continuados, qualificação, formação docente e material didático apropriado, com vistas a oportunizar aos docentes interação entre os conteúdos escolares e as realidades das comunidades quilombolas.
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A presente investigação pretendeu atender aos objetivos de: i) identificar elementos na educação formal e não formal, numa comunidade quilombola, que colaboram para a afirmação destas identidades, assim como ii) analisar a contribuição da educação formal no processo de construção da identidade quilombola; iii) conhecer as práticas pedagógicas e as condições de ensinagem ↔ aprendizagem realizadas pela Escola Municipal do Kaonge e iv) investigar os processos de transmissão↔manutenção da cultura e linguagens africano-brasileiras como instrumento de afirmação das identidades quilombolas. Para esta investigação, fez-se o uso da etnopesquisa crítica (MACEDO, 2004), também conhecida como abordagem do tipo etnográfico (ANDRÉ, 1995). Esta, por sua vez, é inspirada na etnografia que tanto pode significar “descrição densa” (GEERTZ, 2011), “descrição cultural” (ANDRÉ, 1995,) quanto “descrição de um povo” (AGROSINO, 2009). As técnicas utilizadas passaram pela observação participante (MINAYO, 2012), (LÜDKE; ANDRÉ, 1986), (AGROSINO, 2009), entrevistas semi-estruturadas, que ajudaram a “documentar o não-documentado” (ANDRÉ, 1995), a escuta sensível (BARBIER, 2002), que se mostrou eficaz e eficiente permitindo que as interpretações fossem levantadas segundo o que foi narrado pelo interlocutor, em dada situação discursiva e, por fim, anotações no caderno de campo. A coleta de dados, também, se deu a partir de análise de documentos, desde os elaborados pelo INCRA, passando pelo Projeto Político Pedagógico da escola, pelo Currículo Oficial e a matriz curricular, até os Projetos de unidades letivas. No que se refere a educação não formal, a análise passa pelos Projetos de monitorias e oficinas (de teatro, músicas, vídeos etc.). Além destes, foram feitas análises de documentários sobre os festejos religiosos produzidos pela TV UFBA. A pesquisa apontou que as aprendizagens acontecem em distintas situações da vida comunal dos quilombolas. No entanto, os processos e práticas educativas não formais contribuem efetivamente para a construção das identidades quando comparada com a educação formal. Os festejos religiosos, as atividades político-educativas, principalmente as oficinas de teatro, dança e vídeos são importantíssimas para o debate das realidades locais, formação de novas mentalidades, orientações para se propor uma educação antirracista e mais equânime. Embora a educação formal dialogue, em vários momentos, com a cultura local, a escola precisa repensar seu currículo com vistas a atender as diretrizes de uma educação escolar quilombola, na perspectiva de refletir cotidianamente as questões locais. Certamente, a presença de uma Matriz e/ou diretriz(es) escolar quilombola direcione os processos, ações e práticas escolares de forma mais efetiva com as realidades quilombolas desse Brasil- quilombola. Logo, é importante que a Secretaria de Educação do Município ofereça estudos continuados, qualificação, formação docente e material didático apropriado, com vistas a oportunizar aos docentes interação entre os conteúdos escolares e as realidades das comunidades quilombolas.The research presented seeks to construct interpretations about the educational processes and practices that constitute quilombola identities in the black-ruralquilombola community of the Kaonge. The present research aimed to meet the objectives of: i) identifying elements in formal and non-formal education in a quilombola community, which collaborate to affirm these identities, as well as ii) analyze the contribution of formal education in the process of building quilombola identity; iii) to know the pedagogical practices and the conditions of teaching ↔ learning carried out by the Kaonge Municipal School and iv) to investigate the processes of transmission ↔ maintenance of African-Brazilian culture and languages as an instrument for affirming quilombola identities. For this research, critical ethnographic research was used (MACEDO, 2004), also known as an ethnographic approach (ANDRÉ, 1995). This, in turn, is inspired by the ethnography that can mean "dense description" (GEERTZ, 2011), "cultural description" (ANDRÉ, 1995) and "description of a people" (AGROSINO, 2009). The techniques used went through participant observation (MINAYO, 2012), (LÜDKE; ANDRÉ, 1986), (AGROSINO, 2009), semi-structured interviews, which helped "document the undocumented" (ANDRÉ, 1995) (BARBIER, 2002), which proved effective and efficient, allowing interpretations to be raised according to what was narrated by the interlocutor, in a given discursive situation, and, finally, notes in the field notebook. Data collection also took place through document analysis, from the ones elaborated by INCRA, through the School's Political Pedagogical Project, through the Official Curriculum and the curriculum matrix, to the Projects of learner units. As far as non-formal education is concerned, the analysis goes through the Projects of monitoring and workshops (theater, music, videos, etc.). Besides these, analyzes of documentaries on the religious festivities produced by UFBA TV were made. The research pointed out that the learning takes place in different situations of the community life of the quilombolas. However, non-formal educational processes and practices effectively contribute to the construction of identities when compared to formal education. Religious celebrations, political-educational activities, especially theater, dance and video workshops are very important for the debate of local realities, the formation of new mentalities, guidelines for proposing an anti-racist and more equitable education. Although formal education often talks to the local culture, the school needs to rethink its curriculum in order to meet the guidelines of quilombola school education, with a view to daily reflection on local issues. Certainly, the presence of a Matrix and / or quilombola school guideline (es) directs the processes, actions and school practices of more effective form with the quilombolas realities of this Brazil - quilombola. Therefore, it is important that the Education Department of the Municipality offers continuous studies, qualification, teacher training and appropriate didactic material, in order to provide teachers with an interaction between school content and the realities of quilombola communities.Costa, Lívia Alessandra Fialho daRabinovich, Elaine PedreiraMesseder, Marcos Luciano Lopes2022-08-30T14:35:24Z2022-08-30T14:35:24Z2013-10-16info:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionapplication/pdfBARBOSA, Júlio Cézar da Silva. Processos educativos formais e não formais na constituição das identidades quilombolas: o caso do Kaonge. Orientadora: Lívia Alessandra Fialho da Costa. 2013. 144f. Dissertação (Mestrado), Programa de Pós-graduação em Educação e Contemporaneidade, Departamento de Educação Campus I, Universidade do Estado da Bahia, Salvador, 2013.https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/3017ark:/31471/0013000006f27porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEBinstname:Universidade do Estado da Bahia (UNEB)instacron:UNEBBarbosa, Júlio Cézar da Silva2025-04-22T13:10:08Zoai:saberaberto.uneb.br:20.500.11896/3017Repositório InstitucionalPUBhttps://saberaberto.uneb.br/server/oai/requestrepositorio@uneb.br || sisb@uneb.bropendoar:2025-04-22T13:10:08Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEB - Universidade do Estado da Bahia (UNEB)false
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