A pretensão de universalidade da hermenêutica revisitada

Há um consenso silencioso em torno da superação de uma filosofia hermenêutica que se pretenda universal. A argumentação construída aqui se volta ao reexame deste consenso. Partindo da postulação de uma hermenêutica universal em Hans-Georg Gadamer, fundamentada numa concepção ontológica da linguagem...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Oliveira, Rafael Barros de
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2019
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-18022021-213802
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-18022021-213802/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Claim to universality
Hans-Georg Gadamer
Hermenêutica
Hermeneutics
Jürgen Habermas
Karl-Otto Apel
Paul Ricur
Pretensão de universalidade
Descripción
Sumario:Há um consenso silencioso em torno da superação de uma filosofia hermenêutica que se pretenda universal. A argumentação construída aqui se volta ao reexame deste consenso. Partindo da postulação de uma hermenêutica universal em Hans-Georg Gadamer, fundamentada numa concepção ontológica da linguagem e calcada na finitude da existência humana, são passadas em revista três interações críticas com a hermenêutica gadameriana nas décadas de 1960 e 1970: Jürgen Habermas, Karl-Otto Apel e Paul Ricur. Habermas se voltou contra a sedimentação de estruturas de dominação tradicional implícita na concepção gadameriana da linguagem, reivindicando a necessidade do complemento de uma camada mais profunda de reconstrução das condições de comunicação, cujo modelo viria da psicanálise. Apel se volta contra o déficit normativo e epistemológico da posição de Gadamer, apontando para uma correção de rumos por meio da intervenção de um pragmatismo transcendentalizado. Ricur, por fim, busca o cami-nho do meio, polarizando entre a amplificação das tradições e a suspeita do sentido para cons-truir uma hermenêutica dialética cuja tensão não se deixa reduzir a uma única faceta. Julgando as objeções quanto ao ponto central da hermenêutica de Gadamer sua pretensão de universalidade , conclui-se que nenhuma dessas críticas impossibilita sua retomada e sua reelaboração, em parte porque algumas delas foram satisfatoriamente rebatidas pelo próprio Gadamer, em parte porque sua filosofia deixa espaço para que as outras exigências sejam acomodadas. Como evidência dessa possibilidade latente, foram convocados os esforços contemporâneos de Chris-tian Berner e Johann Michel, que elaboram cada um à sua maneira uma filosofia hermenêutica que se pretende universal e que lida com as oposições dos autores listados. Por fim, são apresentados os traços fundamentais de uma hermenêutica universal.