A contemplação anagógica na Abadia de Saint-Denis (séc. XII)

"A nobre obra brilha, mas como é nobremente brilhante, deve iluminar as mentes para conduzi-las através das verdadeiras luzes, para a verdadeira luz, onde Cristo é a verdadeira porta". Essa frase, inscrita por ordem do abade Suger (c. 1081-1151) em uma das portas de bronze da abadia de Sai...

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Detalles Bibliográficos
Autores: Costa, Ricardo da, Neves, Tainah Moreira
Tipo de recurso: artículo
Fecha de publicación:2015
País:España
Institución:Universitat Autònoma de Barcelona
Repositorio:Dipòsit Digital de Documents de la UAB
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:ddd.uab.cat:136925
Acceso en línea:https://ddd.uab.cat/record/136925
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Arte medieval
Filosofia medieval
Saint-Denis
Suger
Medieval art
Medieval philosophy
Descripción
Sumario:"A nobre obra brilha, mas como é nobremente brilhante, deve iluminar as mentes para conduzi-las através das verdadeiras luzes, para a verdadeira luz, onde Cristo é a verdadeira porta". Essa frase, inscrita por ordem do abade Suger (c. 1081-1151) em uma das portas de bronze da abadia de Saint-Denis, enfatiza o caráter anagógico proporcionado pelo abade à Arte, na reconstrução da basílica. Nesse processo artístico, filosófico e religioso, já descrito pelo Pseudo-Dionísio, o Areopagita, no século V, os medievais ascenderiam da luz física para a luz espiritual, do material ao imaterial, guiados pela Arte e, assim, alcançariam a elevação. É um movimento contínuo, cíclico, produzido pela árdua procura dos entes em direção ao Ser. Para realizarmos tal investigação estética, propusemo-nos analisar três extratos do escrito Liber de Rebus in Administratione Sua Gestis, de Suger, no qual o abade descreve os motivos da reedificação por ele idealizada e dirigida em Saint-Denis - especificamente a primeira adição à basílica e às portas do santuário (I, XXV - De ecclesiæ primo augmento, XXVII - De portis fusilibus et deauratis). Com base neles, pretendemos defender a hipótese que, ao reformar a abadia com uma nova Estética (que viria mais tarde a ser conhecida como Gótica), Suger utilizou a Arte para transmitir sua interpretação da Teologia cristã, e assim materializar, artisticamente, os meios tangíveis pelos quais se poderia ascender do material ao imaterial. Ao criar essa atmosfera anagógica em que, pela contemplação das formas materiais ocorreria a contemplação do invisível, do imutável, Suger conseguiu expressar artisticamente, na abadia, a hierarquia celeste do Pseudo-Dionísio Areopagita.