O trabalhar das Yalorixás em terreiros de candomblé no Distrito Federal e Entorno

Este estudo investigou o trabalhar das Yalorixás de terreiros de Candomblé no Distrito Federal, com o objetivo de compreender suas práticas como lideranças religiosas e comunitárias e a potência de ser dessas mulheres frente ao racismo estrutural. A pesquisa adotou abordagem qualitativa e caráter ex...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Araujo, Gracilene Paiva
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade Católica de Brasília (UCB)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UCB
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:bdtd.ucb.br:tede/3725
Acceso en línea:https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/handle/tede/3725
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Yalorixás
Candomblé
Psicodinâmica
Racismo estrutural
Psychodynamics
Structural racism
CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Descripción
Sumario:Este estudo investigou o trabalhar das Yalorixás de terreiros de Candomblé no Distrito Federal, com o objetivo de compreender suas práticas como lideranças religiosas e comunitárias e a potência de ser dessas mulheres frente ao racismo estrutural. A pesquisa adotou abordagem qualitativa e caráter exploratório, utilizando entrevistas semiestruturadas e diário de campo para a coleta de dados, com quatro participantes selecionadas por amostragem em bola de neve. O estudo organizou-se em três eixos: o processo de tornar-se Yalorixá, o desenvolvimento do trabalho cotidiano nos terreiros e a expressão da força dessas mulheres no contexto das desigualdades sociais. As narrativas revelaram a importância da ancestralidade, da oralidade e da espiritualidade como fundamentos de um saber-fazer que integra cuidado, acolhimento e preservação cultural. O referencial da psicodinâmica do trabalho possibilitou compreender o engajamento subjetivo e afetivo dessas lideranças, e, ao ser articulado às epistemologias afro brasileiras, às perspectivas contracoloniais e às contribuições do feminismo negro, compensou suas lacunas diante da complexidade do fenômeno. Os resultados evidenciaram que o trabalho das Yalorixás ultrapassa a lógica produtivista do capitalismo, configurando-se como resistência cultural, política e espiritual. Além disso, reforçaram a relevância de políticas públicas voltadas à proteção das religiões de matrizes africanas, como a Política Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros e de Matrizes Africanas. Conclui-se que as práticas dessas mulheres são essenciais para a continuidade das tradições afro-brasileiras e constituem formas contra-hegemônicas de existência e resistência, reafirmando a necessidade de ampliar os referenciais teóricos sobre trabalho para contemplar saberes plurais.