Diário do Hospício: onde o testemunho é mediado pela literatura
Seja quando advém dos relatos dos sobreviventes da Shoah, seja quando advém das convulsões políticas ou dos excluídos de espaços produtores de conhecimento da América Latina, a “literatura de testemunho” sempre guarda uma relação com a violência. Muito antes do surgimento do termo “literatura de tes...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2023 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:www.bdtd.uerj.br:1/21030 |
| Acceso en línea: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/21030 |
| Access Level: | acceso embargado |
| Palabra clave: | Testimony Literature Lima Barreto Diário do hospício Testemunho Literatura Barreto, Lima, 1881-1922 - Crítica e interpretação Barreto, Lima, 1881-1922. Diário do hospício Barreto, Lima, 1881-1922 - Diários Literatura brasileira – História e crítica LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS::TEORIA LITERARIA |
| Sumario: | Seja quando advém dos relatos dos sobreviventes da Shoah, seja quando advém das convulsões políticas ou dos excluídos de espaços produtores de conhecimento da América Latina, a “literatura de testemunho” sempre guarda uma relação com a violência. Muito antes do surgimento do termo “literatura de testemunho”, na Belle Époque carioca do início do sé-culo XX, a violência já relegava pobres, negros, imigrantes, alcoólatras, ou qualquer outro que perturbasse a ordem social ao hospício. No Hospital Nacional de Alienados, com o respaldo da polícia e da ciência, como fez a tantos outros, a violência do progresso internou Lima Barreto (1881-1922) por delírios alcoólicos de 25 de dezembro de 1919 a 02 de fevereiro de 1920, período em que o autor escreveu as tiras que deram origem postumamente a Diário do Hospício. Como representante da estratégia do Estado de excluir amparando-se no racismo e na pobreza, o hospício tornava o tempo e os corpos dóceis. Em Diário do Hospício, porém, o testemunho passa pelo tempo do diário, e o tempo do diário passa pelo tempo da memória, sendo esse testemunho também perpassado pela linguagem da crônica, do romance e do conto, sem esgotar outras possibilidades. De dentro dos muros do hospício, pela voz de autor, o interno-narrador-escritor descortina a criação do doente pela ciência e questiona a própria fronteira entre os gêneros literários, respondendo à ciência da época e à violência do aprisio-namento com um testemunho mediado pela liberdade da literatura |
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