Associações entre dieta, composição corporal e densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa

A menopausa é definida como a ausência permanente das menstruações, em decorrência da diminuição da função folicular ovariana ou remoção cirúrgica dos ovários. O declínio da produção endógena de estrogênio durante a transição menopáusica tem sido associado à perda de densidade mineral óssea (DMO) e...

Full description

Bibliographic Details
Author: Silva, Thaís Rasia da
Format: doctoral thesis
Status:Published version
Publication Date:2016
Country:Brasil
Institution:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/148843
Online Access:http://hdl.handle.net/10183/148843
Access Level:Open access
Keyword:Dieta
Densidade óssea
Menopausa
Composição corporal
Description
Summary:A menopausa é definida como a ausência permanente das menstruações, em decorrência da diminuição da função folicular ovariana ou remoção cirúrgica dos ovários. O declínio da produção endógena de estrogênio durante a transição menopáusica tem sido associado à perda de densidade mineral óssea (DMO) e de massa muscular esquelética. Além disso, não só o status menopáusico, mas também o envelhecimento promove outras modificações na composição corporal, como o aumento e redistribuição da massa de gordura, resultando em um padrão de acumulação de gordura central ou de distribuição androide. Essas alterações de composição corporal levam a efeitos deletérios na saúde dessas mulheres, como aumento do risco de doenças cardiovasculares, fraturas e mortalidade. Estudos de intervenção na população em geral tem demonstrado que dietas hiperproteicas em comparação com dietas de baixo teor de proteínas levam a maior perda de circunferência de cintura e gordura abdominal durante o seu seguimento. Ainda não foram publicadas revisões sobre o efeito de dietas hiperproteicas sobre gordura abdominal ou adiposidade central em mulheres de meia-idade. Portanto, o objetivo da introdução, sendo o capítulo 1 desta tese, foi conduzir uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados para identificar os efeitos de dietas hiperproteicas comparadas a dietas controles sobre gordura abdominal em mulheres de meia-idade. Devido ao número limitado de evidências identificadas, não foi possível a realização de metanálise. Não foram encontradas diferenças na redução da circunferência da cintura e da massa de gordura abdominal entre as dietas para a maioria dos estudos. No entanto, dietas com objetivo de redução de peso corporal, independentemente da composição nutricional podem diminuir a massa de gordura abdominal em mulheres de meia-idade. As recomendações de ingestão (DRI) de proteína para idosos, homens e mulheres, continuam sendo as mesmas de adultos jovens saudáveis. A estimativa média de requerimento (EAR) e a recomendação diária de ingestão (RDA) são de 0,66 e 0,8 g/kg de peso corporal, respectivamente, sendo que a RDA teoricamente satisfaz as necessidades de 97,5 % da população. No entanto, em dois estudos recentes que avaliaram as recomendações de proteína para mulheres com mais de 65 e 80 anos de idade, encontraram uma EAR de 0,85 e 0,96 e uma RDA de 1,15 g e 1,29 g/kg de peso corporal, respectivamente. Dessa forma, o objetivo do segundo estudo foi investigar a associação entre massa muscular esquelética e ingestão de proteína, atividade física habitual, composição corporal e variáveis metabólicas em mulheres na pós-menopausa, encaminhadas através de chamamento na mídia e atendidas pelo grupo de endocrinologia ginecológica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A prevalência de baixa massa muscular foi de apenas 7%, visto que nossas mulheres eram jovens e sem doenças clínicas evidentes. O índice de massa muscular foi positivamente associado com ingestão de proteína e negativamente associado com % gordura corporal. As participantes com ingestão proteica no tercil superior apresentaram melhor perfil metabólico e padrão alimentar mais saudável. Este grupo também apresentou menor IMC, circunferência da cintura e massa de gordura do tronco. O declínio nos níveis de 17-β-estradiol está associado com o aumento na perda de DMO. Esse declínio de DMO também pode ser atribuído a diversos outros fatores, incluindo: idade, carga genética, nutrição, estilo de vida e uso prolongado de algumas medicações. Portanto, o objetivo do terceiro trabalho foi investigar como a composição corporal, padrão alimentar e atividade física habitual são associados com DMO de acordo com o tempo de menopausa em mulheres do sul do Brasil, sem doença clínica evidente. Nesse estudo transversal, o tempo de menopausa, menor massa magra e de gordura, além de ingestão de vitamina A < 700 μg/dia foram associados com baixa massa óssea. Ingestão calórica e de macronutrientes, bem como atividade física habitual, não interferiram na DMO, no entanto a maior parte das participantes eram sedentárias.