Um narrador e sua criatura: uma leitura do duplo em Um sopro de vida, de Clarice Lispector

Iniciado em 1974, o livro póstumo Um sopro de vida (pulsações), de Clarice Lispector, vem a público em 1978. Escrito ―em agonia‖ (Borelli, 1981), a obra retoma a densidade introspectiva que caracteriza a escrita clariceana, repete o paradoxo existencial vida e morte tão recorrent...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Ivan, Maria Eloísa de Souza
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2015
País:Brasil
Institución:Universidade Presbiteriana Mackenzie (MACKENZIE)
Repositorio:Repositório Digital do Mackenzie
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:dspace.mackenzie.br:10899/25119
Acceso en línea:http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/25119
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Temática do duplo
Alteridade
Um sopro de vida
Lispector, Clarice
Theme of the double
Otherness
Breath of Life
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Descripción
Sumario:Iniciado em 1974, o livro póstumo Um sopro de vida (pulsações), de Clarice Lispector, vem a público em 1978. Escrito ―em agonia‖ (Borelli, 1981), a obra retoma a densidade introspectiva que caracteriza a escrita clariceana, repete o paradoxo existencial vida e morte tão recorrente em sua obra, revela-se como obra de princípio e fim, uno e múltiplo, enfim, nos guia por vários caminhos conhecidos, ou pouco explorados. Reconhecendo que leitura envolve relação empática e motivada a continuar a pesquisa de mestrado, também acerca da obra clariceana, senti-me provocada a enfrentar a leitura de obra tão densa e buscar esses caminhos ainda pouco trilhados. Assim, neste projeto, retomamos aspectos os quais não foram explorados na nossa pesquisa de mestrado por não fazerem parte dos objetivos daquele trabalho, mas que foram percebidos como relevantes para um estudo posterior. Dentre esses aspectos, citamos a manifestação do duplo como elemento estruturante da narrativa Um sopro de vida (pulsações),1978, escolhida como corpus desta pesquisa. A temática do duplo sempre esteve presente na cultura ocidental, variando de acordo com o momento histórico. Renovado na modernidade, o mito do duplo também revela o homem estilhaçado, tendo como uma de suas possíveis representações a cisão do Eu em um ―ego‖ e um ―alter ego‖. Para melhor entendermos a relação do duplo com a obra, podemos dizer que muitos séculos separam a lenda grega, contada por Aristófanes, do livro Um sopro de vida (pulsações), de Clarice Lispector. A lenda procura explicar a necessidade do ser humano de buscar eternamente a metade que o completa; a obra clariceana materializa, entre outros, o questionamento do homem em busca de si mesmo, refletindo acerca do ―quem sou eu?‖ ―quem é o outro?‖ Desse modo, compõem os objetivos específicos deste estudo descrever e analisar a figura do narrador-Autor, estabelecendo-se um contraponto entre narrador-Autor/Ângela Pralini, observando-se o processo de construção da personagem como imagem que se constitui ―pelo‖ outro; também é nosso propósito investigar e analisar os efeitos de sentido discursivos que recobrem as imagens de Deus, do vós, do espelho e da morte em relação ao narrador-Autor e Ângela Pralini. Orientando-nos, então, pelas reflexões de Rank, Clément Rosset, Bravo, Bakhtin, entre outros, a pesquisa que aqui se apresenta propõe, como questionamento, investigar de que modo a imagem do duplo se materializa como um elemento estruturante da narrativa clariceana, mais especificamente em Um sopro de vida (pulsações), e em que medida esse recurso discursivo se manifesta no contraponto narrador-Autor/Ângela Pralini, seu duplo, investigando também como esse narrador se manifesta nas oscilações de pessoa, na ampliação da função de narrar, nas escolhas vocabulares, no viés adotado: quem é o duplo de quem?