Frevo-enredo: de como o samba tende a se tornar marchinha de carnaval

Este trabalho tem por objetivo analisar as transformações ocorridas no samba-enredo, nas últimas décadas. O impulso inicial para sua realização foram as críticas do conceituado sambista Paulinho da Viola, que frequentemente acusava as escolas de samba de estarem transformando os sambas-enredos em ma...

Full description

Bibliographic Details
Author: Coelho, Márcio Luiz Gusmão
Format: article
Status:Published version
Publication Date:2009
Country:Brasil
Institution:Universidade de São Paulo (USP)
Repository:Estudos Semióticos
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:revistas.usp.br:article/49230
Online Access:https://revistas.usp.br/esse/article/view/49230
Access Level:Open access
Keyword:samba-enredo
canção popular
música popular
samba
Description
Summary:Este trabalho tem por objetivo analisar as transformações ocorridas no samba-enredo, nas últimas décadas. O impulso inicial para sua realização foram as críticas do conceituado sambista Paulinho da Viola, que frequentemente acusava as escolas de samba de estarem transformando os sambas-enredos em marcha. Utilizamos elementos da semiótica, da física e da estruturação musical para demonstrar que a aceleração do andamento foi a principal responsável pelas transformações rítmico-melódicas e, consequentemente, literárias, forjadas na linguagem cancional que serve de suporte aos desfiles de escolas de samba. Constatamos que a aceleração extensa da obra provoca a aproximação das balizas de sua estrutura rítmica intensa e, ao aproximá-las, promove a mudança de gênero. Essa alteração repercute na estrutura extensa da obra, que termina por se subdividir em refrães e segundas-partes, levando o samba-enredo a se configurar a partir de duas estruturas e meia de marchinha de carnaval, isto é, a partir de três refrães e duas segundas-partes. Desse modo, os meneios horizontais decorrentes da síncopa (micro-estrutura rítmica que caracteriza o samba) deixam de ser pertinentes e cedem seu espaço aos diletantes movimentos verticais passíveis de serem executados por também diletantes passistas. Com isso, os desfiles das escolas de samba são alterados coreograficamente e o samba paulatinamente cede espaço à marchinha de carnaval.