Tafonomia de biválvios em calcários oolíticos da formação Teresina (Bacia do Paraná, Permiano Médio, Prudentópolis, PR)

No presente artigo é apresentado o primeiro estudo tafonômico detalhado de biválvios preservados em calcários oolíticos da Formação Teresina (provavelmente Kunguriano-Roadiano, Permiano Inferior-Médio), na borda leste da Bacia do Paraná. Foram selecionadas duas camadas, informalmente denominadas PRU...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autores: Neves, Jacqueline Peixoto, Rohn, Rosemarie, Simões, Marcello Guimarães
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2010
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Geologia USP. Série Científica (Online)
Idioma:portugués
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Acceso en línea:https://revistas.usp.br/guspsc/article/view/27487
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description No presente artigo é apresentado o primeiro estudo tafonômico detalhado de biválvios preservados em calcários oolíticos da Formação Teresina (provavelmente Kunguriano-Roadiano, Permiano Inferior-Médio), na borda leste da Bacia do Paraná. Foram selecionadas duas camadas, informalmente denominadas PRU 1 e PRU 2, em pedreiras do município de Prudentópolis, centro-sul do Estado do Paraná, posicionada aproximadamente no meio da formação, provavelmente na Zona Pinzonella illusa. O calcário de PRU 1 (~30 cm de espessura) é um grainstone oolítico a biválvios, parcialmente silicificado, intercalado em rochas predominantemente pelíticas. Possui contato basal erosivo e topo com ondulações simétricas. É recoberto por drapes de folhelho com gretas de contração. Internamente, a camada carbonática apresenta duas sucessões granodecrescentes caracterizadas por empacotamento denso a disperso das conchas. Apresenta quantidade variável de intraclastos pelíticos e conchas de biválvios caoticamente arranjadas (muitas aninhadas ou empilhadas), com gradação vertical descontínua. Um pouco abaixo do topo são reconhecíveis estratificações do tipo microhummocky. A camada carbonática em PRU 2 (~5 cm de espessura) é um rudstone a biválvios e ooides. As conchas de biválvios encontram-se desarticuladas, algumas fragmentadas e densamente empacotadas. Os biválvios provavelmente viviam em substrato lamoso e foram misturados (como bioclastos alóctonos) com ooides em eventos de alta energia, relacionados a tempestades, incluindo remobilizações posteriores por bioturbação. As camadas carbonáticas de PRU 1 e PRU 2 representam, portanto, tempestitos proximais amalgamados com história tafonômica complexa, forte mistura temporal/espacial de bioclastos e limitada resolução paleoecológica. São exemplos típicos de concentrações fósseis geradas em mar epêirico, não necessariamente conectado ao oceano, onde o baixíssimo gradiente do mergulho deposicional, a subsidência muito lenta e o pequeno espaço de acomodação de sedimentos condicionavam frequentes retrabalhamentos dos sedimentos por processos relacionados a tempestades.
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O calcário de PRU 1 (~30 cm de espessura) é um grainstone oolítico a biválvios, parcialmente silicificado, intercalado em rochas predominantemente pelíticas. Possui contato basal erosivo e topo com ondulações simétricas. É recoberto por drapes de folhelho com gretas de contração. Internamente, a camada carbonática apresenta duas sucessões granodecrescentes caracterizadas por empacotamento denso a disperso das conchas. Apresenta quantidade variável de intraclastos pelíticos e conchas de biválvios caoticamente arranjadas (muitas aninhadas ou empilhadas), com gradação vertical descontínua. Um pouco abaixo do topo são reconhecíveis estratificações do tipo microhummocky. A camada carbonática em PRU 2 (~5 cm de espessura) é um rudstone a biválvios e ooides. As conchas de biválvios encontram-se desarticuladas, algumas fragmentadas e densamente empacotadas. Os biválvios provavelmente viviam em substrato lamoso e foram misturados (como bioclastos alóctonos) com ooides em eventos de alta energia, relacionados a tempestades, incluindo remobilizações posteriores por bioturbação. As camadas carbonáticas de PRU 1 e PRU 2 representam, portanto, tempestitos proximais amalgamados com história tafonômica complexa, forte mistura temporal/espacial de bioclastos e limitada resolução paleoecológica. São exemplos típicos de concentrações fósseis geradas em mar epêirico, não necessariamente conectado ao oceano, onde o baixíssimo gradiente do mergulho deposicional, a subsidência muito lenta e o pequeno espaço de acomodação de sedimentos condicionavam frequentes retrabalhamentos dos sedimentos por processos relacionados a tempestades. Herein, it is presented the first detailed taphonomic study on bivalve mollusk shells preserved in the oolitic limestones of the Teresina Formation (probably Kungurian-Roadian, Lower-Middle Permian) in the eastern margin of the Paraná basin. The selected beds are located in two quarries (informally named PRU 1 and PRU 2) in Prudentópolis municipality (Center-South Paraná State), and positioned approximately in the middle of the formation and probably in the Pinzonella illusa Zone. The PRU 1 limestone (~30 cm thick), which is partially silicified and intercalated with predominantly pelitic rocks, is classified as a bivalve oolitic grainstone. The basal contact is erosive and the top shows symmetrical ripple marks, which are draped by shale with mud cracks. There are two fining-upwards successions characterized by dense to dispersed packing of the shells, which are usually disarticulated, randomly oriented (many nested/stacked) and mixed with some pelitic intraclasts. Microhummocky cross-stratification occurs a little below the top of the bed. The PRU2 bed is classified as ooid-bivalve rudstone (~5 cm thick), where all shells are disarticulated and fragmented, showing dense packing. The bivalves probably inhabited a muddy substrate and were mixed (as parautochtonous and allochthonous bioclasts) with ooids during high-energy storm events, including posterior shell displacement as a result of bioturbation. Thus, the calcareous beds represent amalgamated proximal tempestites with a complex taphonomic history, strong temporal/spatial mixing of bioclasts and limited paleoecological resolution. They are a typical example of shell beds generated in a huge epeiric sea, which was not necessarily connected to the ocean and where very low depositional-slope gradient, very slow subsidence and minimum sediment accommodation space caused frequent sediment reworking by storm related processes. Universidade de São Paulo. 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