Formação de professores indígenas: limites e perspectivas segundo egressos de um curso de licenciatura intercultural

A presente dissertação de mestrado, vinculada à linha de pesquisa "Processos formativos, ensino e aprendizagem" no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT/UNESP), campus de Presidente Prudente/São Paulo, t...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Santino, Fernando Schlindwein
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2022
País:Brasil
Recursos:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/235850
Acesso em linha:http://hdl.handle.net/11449/235850
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Formação inicial de professores
Formação inicial de professores indígenas
Licenciatura intercultural
Etnomatemática
Interculturalidade
Initial teacher training
Initial training of indigenous teachers
Intercultural degree
Ethnomathematics
Interculturality
Formación inicial del profesorado
Formación inicial de profesores indígenas
Grado intercultural
Etnomatemáticas
Interculturalidad
Descrição
Resumo:A presente dissertação de mestrado, vinculada à linha de pesquisa "Processos formativos, ensino e aprendizagem" no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (FCT/UNESP), campus de Presidente Prudente/São Paulo, tem como objetivo geral analisar condicionantes e racionalidades que emergem das concepções declaradas pelos agentes formadores e alunos egressos de um curso intercultural, tendo em vista compreender os subsídios teórico-práticos da formação de professores dos anos finais do Ensino Fundamental, em particular de Matemática. Sabe-se que a Formação de Professores Indígenas no Brasil, a partir da década de 1980, tem se constituído em um campo fértil e rico de pesquisas devido à luta de vários setores da sociedade em prol dos direitos dos povos indígenas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo-analítico, com vista à caracterização de subsídios teórico-práticos sobre a temática da Formação de Professores Indígenas. Inicialmente desenvolvemos uma pesquisa do tipo estado do conhecimento no campo da Formação de Professores Indígenas, com o objetivo de historiar o que foi produzido em dez anos sobre a temática. O levantamento foi realizado com base nos descritores "formação de professores indígenas", "licenciatura intercultural" e "egressos indígenas" no portal de periódicos da CAPES e da base de dados BDTD entre 2009 a 2019. Em seguida, realizamos uma análise do Projeto Pedagógico de Curso (PPC) de uma Licenciatura Intercultural Indígena do estado de Mato Grosso do Sul (MS), considerada uma experiência "bem-sucedida". O curso selecionado foi a Licenciatura Intercultural Indígena "Teko Arandu" oferecido pela Faculdade Intercultural Indígena (FAIND) na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). A produção de dados foi realizada por meio de análise documental do PPC e de documentos oficiais do Ministério da Educação (MEC), além de entrevistas com a coordenação e egressos indígenas do curso, de modo a compreender as proposições e limites do Teko Arandu. Ao final, todas as informações obtidas foram cruzadas, buscando relacionar os dados e concluir a pesquisa. Os resultados do estado do conhecimento evidenciam múltiplas temáticas relacionadas a: saberes tradicionais e conhecimento escolar; Matemática; Interculturalidade; história dos povos indígenas; implementação de curso intercultural; depoimento de coordenadores, professores e egressos sobre os modos de produção e hierarquia dos conhecimentos ditos científicos sobre os conhecimentos culturais indígenas; políticas públicas acerca da Formação de Professores Indígenas; currículo intercultural com foco na realidade; relação teoria e prática e oficinas de estudo. A análise do PPC revelou que há pontos positivos acerca da valorização dos conhecimentos indígenas em consonância com o ensino da Matemática "padrão". Além disso, ao que tudo indica, o projeto é interessante para os povos indígenas do Mato Grosso do Sul, uma vez que considera as especificidades locais e baseia-se na Interculturalidade Crítica e na Etnomatemática. Nas entrevistas os egressos indígenas elogiam a proposta do curso, a metodologia dos professores universitários não indígenas e a presença dos mestres tradicionais. No entanto, dada a importância da Língua Guarani, ressaltam a necessidade da presença de professores indígenas ministrando aulas na Língua Guarani no curso Teko Arandu. Assim como a coordenadora do curso, ressaltam a presença no Teko Arandu do diálogo da universidade com a comunidade indígena, o trabalho articulado de pesquisa realizado no curso e a valorização dos conhecimentos indígenas e não indígenas permeados pela Interculturalidade e pela Etnomatemática, contribuindo para a valorização da cultura, Língua Guarani e identidade indígena. Em termos de resultados, o estudo demonstrou, pela natureza do trabalho de campo, a importância de apresentar e discutir a especificidade da Formação de Professores Indígenas, em particular para o ensino de Matemática. Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pelo apoio financeiro concedido para a realização desta pesquisa, sob o processo nº 2020/02308-6.