Karatê: cultura em trânsito nas relações Brasil-Japão

Esta dissertação investiga o processo de trânsito do karatê do Japão para o Brasil na segunda metade do século XX, analisando seu papel como ente cultural japonês inserido no contexto brasileiro a partir desse período. O estudo questiona o trânsito cultural por meio de diferentes correntes teóricas,...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Silva, Roberto Marques Leão da
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-03102025-143038
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8157/tde-03102025-143038/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Brazil-Japan trade relations
Cultura
Cultural transit
Culture
Esporte
Karate
Karatê
Relações comerciais Brasil-Japão
Sport
Trânsito cultural
Descripción
Sumario:Esta dissertação investiga o processo de trânsito do karatê do Japão para o Brasil na segunda metade do século XX, analisando seu papel como ente cultural japonês inserido no contexto brasileiro a partir desse período. O estudo questiona o trânsito cultural por meio de diferentes correntes teóricas, abrangendo desde os estudos sobre soft power até conceitos de cultura, controle e indústria cultural. Para delimitar o objeto de pesquisa, foi realizado um levantamento bibliográfico sobre a história e a formação do karatê até sua chegada ao Brasil na década de 1950. A partir dessa análise, ficou evidente que o karatê possui uma notável capacidade de resiliência, adaptando-se a diferentes contextos sociais, políticos e geográficos ao longo do tempo. No contexto das relações comerciais bilaterais Brasil-Japão e como forma de investigar a expansão do karatê no Brasil, foi conduzido um levantamento hemerográfico na Biblioteca Nacional Digital (BNDigital). O termo \"Karatê\" foi utilizado de maneira arbitrária para minimizar erros de digitalização que poderiam comprometer a análise, uma vez que a grafia \"caratê\" frequentemente gerava ocorrências de palavras como \"caractere\" e \"caráter\". Os resultados indicam que, na década de 1950, foram registradas 100 publicações em jornais mencionando o termo, número que cresceu para 2.153 na década de 1960 e saltou para 8.612 na década de 1970. Apenas na década de 1980 foi observada uma leve queda, com 8.451 publicações. Além disso, constatou-se que quase 45% das publicações no período ocorreram fora do eixo Rio- São Paulo, evidenciando a ampla capilaridade social do karatê no Brasil. Por fim, a pesquisa demonstra que a presença do karatê no Brasil foi um efeito colateral das relações comerciais entre Brasil e Japão na segunda metade do século XX. No entanto, graças a características intrínsecas da arte marcial, como sua capacidade de atração (capilaridade) e adaptação, o karatê se expandiu pelo Brasil, despertando crescente interesse na imprensa ao longo de quatro décadas