As exéquias do Buda Sãkyamuni : morte, lamento e transcendência na iconografia indiano-budista de Gandhara

Esta tese tem por objetivo verificar se a incorporação do esquema iconográfico do Lamento Fúnebre presente no repertório do Ciclo do Mahãparinirvãna do Buda Sãkyamuni, possuiu uma origem estrangeira: a representação da próthesis - a exposição do morto - grega. Essa iconografia foi desenvolvida entre...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Aldrovandi, Cibele Elisa Viegas
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2006
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-10012007-095712
Acceso en línea:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/71/71131/tde-10012007-095712/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Buddhism
Budismo
Funeral lament
Gandhãra
Iconografia
Iconography
Lamento fúnebre
Mahãparinirvãna
Descripción
Sumario:Esta tese tem por objetivo verificar se a incorporação do esquema iconográfico do Lamento Fúnebre presente no repertório do Ciclo do Mahãparinirvãna do Buda Sãkyamuni, possuiu uma origem estrangeira: a representação da próthesis - a exposição do morto - grega. Essa iconografia foi desenvolvida entre os séculos I e III d.C. em Gandhãra, na fronteira noroeste do subcontinente indiano. O Corpus Documental desta pesquisa é composto por uma vertente indiano-budista e outra greco-romana, sistematizadas em um Banco de Dados e Imagens. Foram utilizadas evidências arqueológicas assim como fontes textuais. A representação formal do Lamento Fúnebre é uma expressão imagética de um momento do ritual funerário entendido como um rito de passagem. Duas estruturas de análise distintas, a Arqueologia da Imagem e a Arqueologia da Morte, foram combinadas para fundamentar a análise e a interpretação do conjunto imagético de temática funerária investigado nesta pesquisa. A análise arqueológica foi realizada sob uma perspectiva de longa duração que permitiu inferir as mudanças fundamentais à compreensão dessa gênese iconográfica. Reconstruções da práxis funerária nas diferentes sociedades que forneceram elementos iconográficos para a formação do repertório imagético de Gandhãra foram elaboradas. As fontes gregas e védico-bramânicas apresentaram paralelos na lamentação do morto. As análises esquemática e temática do Corpus Documental possibilitaram verificar a dimensão da assimilação do esquema formal da próthesis grega na gênese da representação do Mahãparinirvãna, a adaptação desse esquema à temática indiano-budista e os desdobramentos que essa representação apresentou nas demais regiões da Índia e da Ásia. Essa abordagem teórica permitiu analisar as mudanças no discurso textual e iconográfico sobre as exéquias do Buda Sãkyamuni e revelou quais os aspectos da persona social do fundador do Budismo foram favorecidos após o Mahãparinirvãna. O discurso budista de caráter proselitista, aliado à necessidade de criação de uma identidade budista, procurou desenvolver uma narrativa cada vez mais idealizada das exéquias de seu fundador. A persona social do sramana Gautama se modificou ao longo dos séculos e foi reelaborada com base na figura heroicizada do cakravartin védico-bramânico, de modo a legitimar o discurso engendrado pelas comunidades monásticas cada vez mais hierarquizadas. A iconografia de Gandhãra está inserida nesse estágio de desenvolvimento do Budismo, em que algumas das modificações doutrinárias já tinham sido incorporadas ao discurso sobre o Mahãparinirvãna do Buda Sãkyamuni. A partir desse período é observado um grande investimento dispendido com o aparato simbólico e a atenuação da ênfase iconográfica na morte e na lamentação a favor da transcendência