Pessoas e Plantas em um Mundo de Pontas: uma crítica feminista e decolonial aos estudos de povoamento inicial das Américas

Nos anos 1980, feministas chamaram atenção para o fato de que ao pesquisar elementos da cultura material, arqueólogos/as trabalhavam com um paradigma em que as fontes utilizadas para deduzir suas noções implícitas de arranjos de gênero no passado raramente eram explicitadas. Fundamentadas numa epist...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Silva, Danusa Vieira Freire da
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2021
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Pelotas (UFPEL)
Repositorio:Repositório Institucional da UFPel - Guaiaca
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:guaiaca.ufpel.edu.br:prefix/10826
Acceso en línea:http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/10826
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:CIENCIAS HUMANAS
Arqueologia feminista
Povoamento inicial das Américas
Caçadores-coletores
Perspectiva decolonial
Feminist archaeology
Early settlement of the Americas
Hunter-gatherers
Decolonial perspective
ANTROPOLOGIA
ARQUEOLOGIA HISTORICA
Descripción
Sumario:Nos anos 1980, feministas chamaram atenção para o fato de que ao pesquisar elementos da cultura material, arqueólogos/as trabalhavam com um paradigma em que as fontes utilizadas para deduzir suas noções implícitas de arranjos de gênero no passado raramente eram explicitadas. Fundamentadas numa epistemologia binária e oposicional (natureza/cultura, sexo/gênero, feminina/masculino), papéis públicos e diferentes atividades exercidas por homens e mulheres de populações pretéritas são frequentemente inferidos a partir de valores e narrativas ocidentais modernas. É o caso do paradigma man-the-hunter, onde o homem é apresentado como o único responsável pela caça, atividade que seria motor evolução humana, relegando às mulheres a atividades de coleta. Embora esses paradigmas baseados numa visão masculinista tenham sido criticados, seu legado na elaboração de discursos arqueológicos permanece. Esta pesquisa procura, através de uma discussão teórico-metodológica, analisar a literatura arqueológica brasileira sobre povos caçadores-coletores pretéritos, colocando em questão a suposta neutralidade de modelos interpretativos que privilegiam a análise de pontas de projétil para reconstruir as dinâmicas de povoamento inicial do território brasileiro. Com base em perspectivas teóricas feministas e decoloniais, compreende-se que parte dessas investigações, de cunho evolucionista-darwinista e vinculadas a correntes hegemônicas da produção do conhecimento, reproduzem vieses masculinistas dominantes em suas pesquisas. São discutidos ainda outros caminhos possíveis de elaboração de conhecimento arqueológico/científico sobre os primeiros povos a ocuparem as Américas, a partir da perspectiva de povos tradicionais e sua relação com as plantas. Por fim, defendo que ao incorporar práticas contra-hegemônicas, torna-se possível a construção não somente de outras arqueologias, mas também de outros mundos.