Efeitos tóxicos do ferro sobre a capacidade ionorregulatória de robalos-peva (Centropomus parallelus) em diferentes salinidades

Após o desastre ambiental que ocorreu em novembro de 2015 provocado pelo rompimento da barragem de Fundão em MG, concentrações de ferro (Fe) em desacordo com o limite máximo estabelecido para águas de classe 2 pela resolução CONAMA 357 (i.e. 0,3 mg/L) vem sendo frequentemente reportadas na foz do Ri...

Full description

Bibliographic Details
Author: Bellezi, Larissa
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2020
Country:Brasil
Institution:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repository:Repositório Institucional da UNESP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/193815
Online Access:http://hdl.handle.net/11449/193815
Access Level:Open access
Keyword:osmorregulação
Na+/K+-ATPase
H+-ATPase
anidrase carbônica
taxa de excreção de amônia
osmoregulation
carbonic anhydrase
ammonia excretion rates
Description
Summary:Após o desastre ambiental que ocorreu em novembro de 2015 provocado pelo rompimento da barragem de Fundão em MG, concentrações de ferro (Fe) em desacordo com o limite máximo estabelecido para águas de classe 2 pela resolução CONAMA 357 (i.e. 0,3 mg/L) vem sendo frequentemente reportadas na foz do Rio Doce/ES. Diversos estudos têm evidenciado uma forte influência da salinidade sobre a toxicidade de metais, como o cobre, zinco e cádmio e, além disso, os mecanismos de ação tóxica do ferro nos peixes ainda não são inteiramente compreendidos. Tendo em vista que as espécies eurialinas, como o robalo peva (Centropomus parallelus), encontram-se sob constante pressão no meio natural para realização de ajustes osmorregulatórios durante a sua movimentação em ambientes estuarinos, a presente proposta visou verificar a influência da salinidade nos efeitos tóxicos do ferro sobre a capacidade osmo- ionoregulatória de jovens de C. parallelus. Na primeira série experimental os jovens de C. parallelus foram aclimatados na salinidade 15‰ e, posteriormente, submetidos ao choque osmótico por meio da transferência direta para água do mar diluída para salinidade 5‰ e água doce (i.e. 0‰) por 24 h, na presença e ausência de 1,0 mg/L de ferro total. Na segunda série, os animais foram aclimatados por 10 dias às três salinidades selecionadas (i.e. 15‰, 5‰ e 0‰) e expostos por 24 h à concentração de 1,0mg/L de ferro total, além dos grupos controle. Ao final do experimento amostras de sangue foram coletadas para a determinação das concentrações de Na+, Cl-, glicose e proteínas plasmáticas, amostras das brânquias foram retiradas para a determinação da atividade das principais enzimas ionoregulatórias (i.e. Na+/K+-ATPase, H+-ATPase e anidrase carbônica) e amostras de água foram retiradas para verificação das taxas de excreção de amônia. Nossos resultados corroboram achados anteriores sobre a grande capacidade osmorregulatória da espécie; contudo, distúrbios foram associados a exposição ao ferro principalmente em água doce. Aumentos significativos de Na+ e Cl- plasmáticos foram verificados nos animais expostos ao ferro durante o período adaptativo à água doce, mas que não foi associado à alteração na atividade das enzimas ionoregulatórias nas brânquias. Já no período regulatório, a inibição na atividade das enzimas Na+/K+-ATPase, anidrase carbônica e H+-ATPase (apenas em 0‰) foi relacionada à redução dos níveis plasmáticos de Na+ e Cl-. Apesar das diferenciadas respostas fisológicas desencadeadas em função da exposição ao metal frente a choque/aclimatação a salinidades reduzidas, nossos resultados apontam que a exposição ao ferro pode resultar em desequilíbrios iônicos e osmóticos na espécie.