A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão na mídia contemporânea: agendamentos e reagendamentos entre a retórica bolsonarista e a imprensa de referência no Brasil

A pesquisa analisa como os ataques discursivos feitos pelo então presidente Jair Bolsonaro contra a imprensa de referência (A Folha, o Estadão e o Globo) e outros atores sociais são partes de uma política de desmonte das instituições democráticas no Brasil para a implantação de uma agenda da extrema...

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Detalles Bibliográficos
Autor: MARQUES, Francisca Ester de Sá
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade Metodista de São Paulo (METODISTA)
Repositorio:Repositório da METODISTA
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.metodista.br:123456789/611
Acceso en línea:https://repositorio.metodista.br/handle/123456789/611
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Liberdade de imprensa
Bolsonarismo
Liberdade de expressão
Censura
Democracia
Freedom of the press
Bolsonarism
Freedom of expression
Censorship
Democracy
Ciências Sociais Aplicadas
Descripción
Sumario:A pesquisa analisa como os ataques discursivos feitos pelo então presidente Jair Bolsonaro contra a imprensa de referência (A Folha, o Estadão e o Globo) e outros atores sociais são partes de uma política de desmonte das instituições democráticas no Brasil para a implantação de uma agenda da extrema direita no país. Para atingir esse objetivo, o então presidente e seus grupos de aliados recorrem constantemente aos conceitos de liberdade de imprensa e de expressão para ativar o debate público – ora a favor, ora contra -, junto à imprensa de referência que age e reage a esses confrontos, conforme os significados/ressignificados que são propostos, ou pela retórica bolsonarista, ou pelos próprios veículos de comunicação. O estudo parte da análise de 84 reportagens políticas produzidas pela imprensa de referência no período da gestão de Jair Bolsonaro à Presidência da República para avaliar como, a partir das teorias de comunicação, do agendamento midiático e da análise crítica do discurso, esses jornais agendaram ou foram agendados pelos temas publicados pelo então presidente nas redes sociais na evocação do debate público. A análise identifica como os deslocamentos discursivos contribuíram para descredibilizar a imprensa de referência em relação aos outros meios de comunicação ou junto ao seu público leitor. A comprovação de que o então presidente estimulou um agendamento reativo e espectral na disputa de poder com a imprensa demonstrou a eficiência da retórica bolsonarista para desviar a crítica sobre os temas controversos do seu governo. Entre 2018 a 2022, a imprensa de referência teve que se unir numa única agenda de contestação para rebater os ataques censórios do então presidente Jair Bolsonaro, independentemente de suas linhas editoriais ou interesses específicos. O debate público estimulado pelos confrontos gerados entre a produção intensa de fake news e o discurso jornalístico apontou para a necessidade de requalificação da informação em novos processos de seleção de fontes, verificação e checagem dos fatos para se manter como uma narrativa ética e legítima. A confirmação de que o conceito de liberdade de expressão e de imprensa manteve a sua perenidade ética como um princípio basilar da democracia foi corroborada na análise das reportagens investigativas.