As sagradas de Asherah e YHWH: narrativa e memória do sacerdócio feminino no templo de Jerusalém

Esta pesquisa analisa o sacerdócio feminino no templo de Jerusalém a serviço do casal divino, Asherah e YHWH, tendo como principal objeto a narrativa de 2Rs 23,4-14. A este objeto foram agregadas análises das evidências arqueológicas acerca do culto à Asherah e ao casal divino, bem como o exame das...

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Detalhes bibliográficos
Autor: MATOS, Sue’Hellen Monteiro de
Formato: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2022
País:Brasil
Recursos:Universidade Metodista de São Paulo (METODISTA)
Repositorio:Repositório da METODISTA
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.metodista.br:123456789/177
Acesso em linha:https://repositorio.metodista.br/handle/123456789/177
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Sacerdotisas, Asherah e YHWH
Hermenêutica feminista
Política de memória
Reestruturação religiosa de Josias
Priestesses, Asherah and YHWH
Feminist hermeneutics
Politics of memory
Josiah's religious restructuration
Ciências Humanas
Descrição
Resumo:Esta pesquisa analisa o sacerdócio feminino no templo de Jerusalém a serviço do casal divino, Asherah e YHWH, tendo como principal objeto a narrativa de 2Rs 23,4-14. A este objeto foram agregadas análises das evidências arqueológicas acerca do culto à Asherah e ao casal divino, bem como o exame das fontes textuais e iconográficas que asseveram as diversas categorias sacerdotais de mulheres no Antigo Oriente Próximo. Considerando os resultados destas análises conclui-se que “as mulheres que teciam vestes à Asherah”, mencionadas no texto bíblico (v.7), seriam, não apenas sacerdotisas de Asherah, mas também de YHWH. Com isto, a tese argumenta acerca da legitimidade do espaço cúltico das mulheres no principal templo de Judá, Jerusalém. Elas participam, não apenas no ambiente doméstico da religião privada, mas também no espaço de culto da religião pública, atuando também nos espaços de poder. No entanto, embora as “mulheres que teciam vestes à Asherah” sejam sacerdotisas, elas não são nomeadas como tal. Isto porque há uma política de memória de gênero por parte dos redatores bíblicos que selecionam o que narrar, como narrar, e o que esquecer. Por isso, analisou-se a construção narrativa e a política de memória de gênero do discurso ‘vitorioso’ de Josias que constrói um repúdio às mulheres, à Deusa e aos outros Deuses e seus sacerdotes expulsos em sua reestruturação religiosa exclusivamente javista. Esta pesquisa foi realizada a partir de levantamento bibliográfico de obras publicadas no Brasil e no exterior, as quais informam sobre estágio atual das pesquisas acerca de Asherah e suas sacerdotisas, tanto do ponto de vista da literatura bíblica quanto das evidências arqueológicas. O texto de 2Rs 23,4- 14 foi analisado através da exegese em perspectiva feminista. Esta metodologia inclui os passos do método histórico-crítico e crítica das formas, com a discussão das relações de poder entre os sexos dentro de uma cultura kyriarcal. Por fim, discutiu-se sobre o processo de silenciamento, ocultamento e desqualificação das mulheres que serviam à Deusa Asherah, e também a YHWH, bem como a própria linguagem violenta contra a Deusa. Esta discussão foi realizada a partir dos pressupostos teóricos de Paul Ricoeur sobre política de memória e de Elisabeth Schüssler Fiorenza acerca da hermenêutica da suspeita e da relembrança. Conclui-se que há uma política de memória de gênero utilizada pelos redatores bíblicos, a qual apaga a memória da Deusa Asherah e a desassocia de YHWH, assim como invisibiliza o sacerdócio feminino no templo de Jerusalém, negando às mulheres o espaço sagrado e de poder que outrora tinha sido ocupado por elas. Por conseguinte, elaborou-se uma nova política de memória: havia um culto oficial ao casal divino em Jerusalém, no qual mulheres e homens exerciam o sacerdócio.