Da deliciosa indolência à atividade petulante: trabalho e ócio na antropologia de Rousseau

Trata-se de analisar a elaboração conceitual e a função das noções de \"trabalho\", \"indolência\" e \"ócio\" na antropologia de Rousseau, apontando de que maneira é possível realizar a leitura da gênese da humanidade e da gênese da história a partir da gênese do trabal...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Azevedo, Thiago Vargas Escobar
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2014
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-09062015-122644
Acceso en línea:http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-09062015-122644/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Anthropology
Antropologia
Human Labor
Idleness
Indolence
Indolência
Laziness
Ócio
Preguiça
Rousseau
Second discourse
Segundo discurso
Trabalho
Descripción
Sumario:Trata-se de analisar a elaboração conceitual e a função das noções de \"trabalho\", \"indolência\" e \"ócio\" na antropologia de Rousseau, apontando de que maneira é possível realizar a leitura da gênese da humanidade e da gênese da história a partir da gênese do trabalho. Pretende-se também examinar como o desenvolvimento das formas de trabalho permite pensarmos o labor em suas variadas categorias: Rousseau descreve e distingue qualitativamente diversas espécies de trabalho humanos sempre considerando os dados heterogêneos que compõe os sucessivos quadros do estado de natureza histórico. No primeiro estado de natureza, retratado no Segundo Discurso, os homens encontravam-se esparsos em uma natureza pródiga: vivendo em terra fértil e abundante, na qual podiam plenamente usufruir de sua indolência natural, os indivíduos equiparavam-se aos animais e suas faculdades distintas encontravam-se em potência. Neste meio ambiente generoso, que não exigia senão um mínimo esforço instintivo para sobrevivência, o trabalho era inexistente. Entretanto, este modelo, no qual a preguiça se apresenta como atributo antropológico fundamental que mantém o homem apegado ao estado de coisas em que se encontra, transforma-se no momento em que surgem os obstáculos: a natureza, tornando-se avara, passa a esconder seus frutos. Abandonando sua indolência, o homem vê e faz nascer uma primeira espécie de trabalho e constrói seus primeiros objetos técnicos; é no momento desta gênese que a liberdade e a perfectibilidade se atualizam e o homem, assim, terá acesso propriamente à sua humanidade. Examina-se, então, a partir do desenvolvimento das formas de trabalho, de que maneira o homem passa a tomar a consciência de si e do outro, dando início ao desenvolvimento da história, da razão e da sociedade. Pretende-se, portanto, demonstrar e contextualizar como a noção de trabalho, que suplanta a ociosidade paradisíaca, opera como ponto de inflexão fundamental na antropologia de Rousseau.