Encantaria na Umbanda
Ultimamente tem se disseminado em alguns terreiros umbandistas do Sudeste o culto aos encantados, uma classe originalmente atinente a cultos do Norte e Nordeste. A literatura acadêmica a seu respeito se restringe a estudos antropológicos ou sociológicos. O surgimento da categoria de encantado em out...
| Autor: | |
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| Formato: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2011 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-31072012-110843 |
| Acesso em linha: | http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-31072012-110843/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palavra-chave: | Afro-Brazilian cults cultos afro-brasileiros encantaria ethno-psychology etnopsicologia psicologia da religião religion psychology. umbanda |
| Resumo: | Ultimamente tem se disseminado em alguns terreiros umbandistas do Sudeste o culto aos encantados, uma classe originalmente atinente a cultos do Norte e Nordeste. A literatura acadêmica a seu respeito se restringe a estudos antropológicos ou sociológicos. O surgimento da categoria de encantado em outras religiões e lugares, bem como hipóteses sobre este fato, ainda não foram estudados do ponto de vista etnopsicológico. Esta pesquisa objetiva contribuir para sanar esta lacuna. Para esse efeito, realizou-se um levantamento bibliográfico do que tem sido dito a propósito do termo, procurando constâncias entre vários contextos da sua ocorrência e contrastes do seu emprego. Além disso, realizou-se um estudo de caso no Templo de Umbanda Caboclo Flecha de Ouro. Para colher estes dados, utilizou-se o método psicanalítico (atenção flutuante, relação transferencial e contratransferencial) aplicado ao âmbito etnográfico (escuta participante). Deu-se ouvidos as histórias e as narrativas a respeito dos encantados, participou-se dos cultos, realizaram-se entrevistas com médiuns e entidades, utilizou-se diário de campo e observaram-se características do espaço físico e a dinâmica ritual. A análise dos dados foi realizada considerando as características da noção de encantamento que se repetiram e contrastando-as com os resultados do levantamento bibliográfico. A elaboração da encantaria nesse terreiro teve a participação de uma médium que já havia tido contato com os invisíveis da Mina num terreiro que frequentara anteriormente, mas a presença deles é narrada como sendo anterior e atender a um propósito específico neste contexto umbandista. Contribuiu também para a construção da noção de encantamento deste terreiro o estudo tanto da literatura a respeito dos encantados como atinente a tentativa de sistematização doutrinária da umbanda. A análise indica que os encantados surgiram nesse terreiro para desarranjar categorias saturadas de significado, cristalizadas, ou, nas palavras da encantada guia do terreiro, para bagunçar. A introdução da categoria tem o sentido de restaurar e resguardar a aptidão da umbanda para dar abrigo ao aspecto misterioso do contato com o sagrado e a abertura para o desconhecido e inusitado. Com o surgimento da encantaria, ao que tudo indica, o panteão umbandista passa a ter literalmente infinitas possibilidades de entidades e linhas espirituais, e todas as pré-existentes podem ser ressignificadas, possibilitando a ampliação e a aprofundamento dos sentidos de categorias espirituais potencialmente saturadas de significado. Deste modo, neste contexto, assegura-se a possibilidade de expressar nuances e sutilezas anímicas tanto de vivências individuais como psicossociais. |
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