Direito ao Som: paisagens e resistências sonoras do funk na favela da Maré // The right to make a sound: the soundscapes of favela da Maré and the sonic resistance of funk music

Neste artigo, pretendemos encontrar os pontos de interseção entre a comunicação e os direitos humanos, incorporando perspectivas dos estudos de som e cultura auditiva. Através de um estudo de suas paisagens sonoras, exploramos as experiências cotidianas de uma favela do Rio de Janeiro, a Maré, dedic...

Full description

Bibliographic Details
Authors: Medrado, Andrea Meyer, da Silva Souza, Renata
Format: article
Status:Published version
Publication Date:2016
Country:Brasil
Institution:Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Repository:Contemporanea (Salvador. Online) - Revista de Comunicação e Cultura
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:ojs.periodicos.ufba.br:article/14721
Online Access:https://periodicos.ufba.br/index.php/contemporaneaposcom/article/view/14721
Access Level:Open access
Keyword:Comunicação
sons e direitos humanos
funk
favela da Maré.
Description
Summary:Neste artigo, pretendemos encontrar os pontos de interseção entre a comunicação e os direitos humanos, incorporando perspectivas dos estudos de som e cultura auditiva. Através de um estudo de suas paisagens sonoras, exploramos as experiências cotidianas de uma favela do Rio de Janeiro, a Maré, dedicando atenção a um sentido que é, muitas vezes, negligenciado: a audição. Para isso, adotamos uma abordagem etnográfica, com a realização de passeios sonoros e observações participantes. Ao escutar as paisagens sonoras da Maré, descobrimos que a rua se configura como o espaço mais adequado para trocas reais e simbólicas, permitindo que os moradores aprofundem seus sentimentos de pertencimento a essa comunidade. Talvez por serem tão representativos, os sons da Maré e, dentre eles, o funk vêm sofrendo tentativas sistemáticas de silenciamento. Elas demonstram o caráter autoritário de algumas intervenções que vem sendo realizadas nas favelas, como a militarização e a pacificação. Mesmo com essa repressão sonora, as ruas da Maré continuam a ser ocupadas com suas festas e sons. A comunidade funkeira continua ecoando suas vozes e ritmos nas paisagens sonoras, resistindo em seu espaço comum.