Gabiru e as árvores: Lendo Raul Brandão a partir de Os pobres e Húmus
Entre o final do século XIX e o início do XX, a Europa passou por diversas crises políticas, bélicas e ideológicas que foram captadas pela arte e originaram diversas experimentações artísticas, inclusive na literatura. Em Portugal, Raul Brandão (1867-1930) foi um dos escritores mais sensíveis às inc...
| Autor: | |
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| Tipo de documento: | dissertação |
| Estado: | Versão publicada |
| Data de publicação: | 2023 |
| País: | Brasil |
| Recursos: | Universidade Federal Fluminense (UFF) |
| Repositório: | Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) |
| Idioma: | português |
| OAI Identifier: | oai:app.uff.br:1/27557 |
| Acesso em linha: | http://app.uff.br/riuff/handle/1/27557 |
| Access Level: | Acceso aberto |
| Palavra-chave: | Raul Brandão Húmus Pobres Árvore Sonho Brandão, Raul, 1867-1930 Crítica e interpretação Humus Poor Tree Dream |
| Resumo: | Entre o final do século XIX e o início do XX, a Europa passou por diversas crises políticas, bélicas e ideológicas que foram captadas pela arte e originaram diversas experimentações artísticas, inclusive na literatura. Em Portugal, Raul Brandão (1867-1930) foi um dos escritores mais sensíveis às incertezas e às crises de sua época, desenvolvendo uma escrita subjetiva, obscura e metamórfica (conforme identifica Maria João Reynaud) que decompunha pilares do romance tradicional (narrador, personagem, tempo, espaço, conflito) e formava uma amálgama mistura de oposições (prosa e poesia; narrativa e reflexão; ação e pensamento) com a qual expressava inquietações sobre a vida e a morte. Devido a isso, Brandão enfrentou resistência por parte dos leitores e da crítica, chegando a ser considerado ilegível. Partindo dessa dificuldade de leitura, esta dissertação tem por objetivo ler Raul Brandão e reafirmar que sua literatura não apenas é legível, apesar de difícil, como se abre a diálogos com outras obras literárias, outras artes e campos do conhecimento. Selecionamos Húmus (1926), sua obra mais conhecida, e Os pobres (1906), uma obra anterior que dialoga com ela, propondo um percurso de leitura a partir do personagem Gabiru e da sua relação com as árvores. Acompanhando a trajetória de Gabiru, pretendemos questionar filosoficamente a existência humana, repensar poeticamente a linguagem e considerar uma postura simbolicamente alquímica perante o mundo, capaz de transmutar o pouco que se dispõe em obras que excedem seu criador e transformam a vida. Lendo as duas obras brandonianas selecionadas, mostraremos como o autor propõe à seu tempo, uma nova perspectiva de vida diante da crise, desfazendo a oposição entre sonho e realidade, e antecipa experimentações que a literatura portuguesa viria a apresentar no século XX. Mostraremos que Brandão nos ensina uma nova perspectiva necessária ao crítico ano de 2020. |
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