Caracterização e cronologia das tufas calcárias da fazenda Aurora, Ourolândia – BA

Este trabalho caracterizou e buscou a compor o quadro paleoambiental em que se formou o depósito paludal de tufas calcárias num pequeno paleovale (72.000 m²) na Fazenda Aurora, em Ourolândia, centro-norte do Estado da Bahia, Brasil. Neste intuito, optou-se por uma abordagem multi-indicadores (multy-...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Toledo, Sérgio Leandro Vieira de [UNESP]
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2016
País:Brasil
Recursos:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/157383
Acesso em linha:http://hdl.handle.net/11449/157383
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Tufas calcárias paludais
Quaternário
LOE
Isótopos de oxigênio e carbono
Ultraestruturas de calcita
Heinrich Stadial (HS) 3 e 1
Paludal calcareous tufa
Quaternary
OSL
Heinrich Stadial (HS) events 3 and 1
Carbon and oxygen stable isotopes
Carbonate ultrastructures
Descrição
Resumo:Este trabalho caracterizou e buscou a compor o quadro paleoambiental em que se formou o depósito paludal de tufas calcárias num pequeno paleovale (72.000 m²) na Fazenda Aurora, em Ourolândia, centro-norte do Estado da Bahia, Brasil. Neste intuito, optou-se por uma abordagem multi-indicadores (multy-proxy), baseada na descrição e análise integrada da petrografia e ultraestruturas das tufas, além de dados de geoquímica isotópica de carbono e oxigênio e cronologia a partir de datações pelo método LOE (Luminescência Opticamente Estimulada). O depósito de Ourolândia é composto por tufas microdetríticas, com idade de 29.293±4.347 anos, desenvolvidas nas margens norte e sul, e tufas fitoermais do tipo boundstone e framestone, com idade de 16.631±4.319 anos, formadas sobre surgências alinhadas ao longo do fundo plano do paleovale. As tufas estudadas contêm moldes de plantas aquáticas, semiaquáticas e terrestres, além de abundantes moldes de cianobactérias das espécies cf. Phormidium incrustatum e cf. Phormidium foveolarum, que indicam evolução do sistema em condições de água rasa, doce e à temperatura ambiente. A excelente preservação de algumas tufas, de acordo com imagens de Microscópio Eletrônico de Varredura, permitiu reconhecer Extracellular Polymeric Substances e a ultraestrutura dos carbonatos (desde nanocristais até microcolunas). Os valores isotópicos de δ13C indicam fonte predominante de carbono derivado de matéria orgânica vegetal, com contribuição de plantas C3 ligeiramente maior que de plantas C4 no segundo evento deposicional (-8.52 e -10.40 ‰ VPDB, respectivamente). Já os valores isotópicos de δ18O sugerem águas de procedência meteórica e maior incidência de chuvas no segundo evento deposicional (-4,41 e -6,35‰ VPDB, para cada evento). As possíveis condições favoráveis à formação das tufas em ~30.000 e ~16.000 anos provavelmente se deram em resposta às mudanças climáticas ocorridas no nordeste brasileiro, em decorrência dos eventos cíclicos milenares no Hemisfério Norte Heinrich Stadial (HS) 3 e 1, respectivamente, que geraram aumento significativo da umidade da região, interrompendo longos períodos predominantemente semi-áridos, com clara correlação entre a formação das tufas de Ourolândia - BA e o aumento da taxa de crescimento e diminuição dos valores isotópicos de δ18O de espeleotemas em cavernas próximas ao depósito.