Mudanças cíclicas na história do português: de volição à concessividade

Esta pesquisa objetiva investigar na história do português a emergência e o funcionamento de três marcadores de concessão - macar (que), como quer que e embora - que têm em comum uma fonte volitiva, que, na história das línguas, mostrou-se como uma das fontes mais produtivas para a emergência de con...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Frontera, João Pedro Cavalcante [UNESP]
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/314588
Acceso en línea:https://hdl.handle.net/11449/314588
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Gramaticalização
Volição
Concessividade
Ciclicidade
Diacronia
Grammaticalization
Volition
Concession
Cyclicity
Diachrony
Descripción
Sumario:Esta pesquisa objetiva investigar na história do português a emergência e o funcionamento de três marcadores de concessão - macar (que), como quer que e embora - que têm em comum uma fonte volitiva, que, na história das línguas, mostrou-se como uma das fontes mais produtivas para a emergência de concessivos (HARRIS, 1988). Os marcadores sinalizam concessividade em diferentes fases do português, macar (que) teria sido o marcador mais antigo da língua, sendo parcialmente suplantado ainda no período antigo por como quer que; embora teria surgido na transição entre o português médio e moderno e ainda se constitui como um dos principais marcadores de concessão do português. A questão maior que norteia a investigação é se os três fenômenos de mudança em pauta poderiam ser abordados como uma instância de ciclicidade onomasiológica semântico-pragmática, conforme Hansen (2018, 2020), em que desenvolvimentos recorrentes ou cíclicos se fundamentam na hipótese de que significados fonte similares devem favorecer tipos similares de inferências contextuais. A pesquisa foi conduzida à luz do quadro teórico-metodológico da Gramaticalização (HEINE; KUTEVA, 2007; BYBEE, 2010, 2015; HEINE; NARROG, 2015; NARROG; HEINE, 2021), que tem na ‘reinterpretação induzida pelo contexto’ uma ferramenta metodológica adequada para a reconstrução e descrição de desenvolvimentos diacrônicos. Os dados que fundamentam as análises foram extraídos de duas amostras diacrônicas que recobrem diversos estágios do português: a primeira recobre o período antigo e fundamenta a descrição e a análise de macar (que) e como quer que; a segunda recobre os períodos médio, clássico e moderno e fundamenta a descrição de embora. Perseguimos três objetivos principais: 1) explicitar para cada construção a conexão entre os significados fonte e alvo, considerando para tanto o papel do conteúdo conceitual da fonte, o modo de atuação dos contextos como guias para a produção de inferências e a especificidade do significado concessivo; 2) propor uma hipótese explicativa para o recuo das construções concessivas com macar (que) e como quer que e para a generalização de embora, considerando aspectos da morfossintaxe e dos significados das construções concessivas introduzidas pelos marcadores; e 3) reunir evidências de que os três fenômenos de mudança juntos constituem uma instância de ciclicidade onomasiológica semântico-pragmática. Os resultados da pesquisa sugeriram que os três processos de mudança, em conjunto, não parecem se constituir como uma instância de ciclicidade onomasiológica semântico-pragmática, no entanto, os processos de mudança de macar (que) e embora parecem apresentar similaridades de mudança que permitem assumir que os dois marcadores possam apresentar um desenvolvimento cíclico.