\"e declarou que ela não tinha senão natura de mulher\": edição digital e análise paleográfica de dois processos inquisitoriais portugueses de sodomia homoerótica feminina do século XVI

Clara Fernandes e Catarina Luís foram processadas pela Inquisição portuguesa, sendo acusadas de sodomia por terem se relacionado sexualmente com mulheres. Catarina o teria feito com apenas uma mulher, enquanto Clara confessou que se envolvera com quatro. Visando contribuir com o estudo do homoerotis...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Sturzeneker, Mariana Lourenço
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-05022025-155947
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-05022025-155947/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:16th century
Digital edition
Edição digital
Female homoerotism
Filologia
Homoerotismo feminino
Inquisição
Inquisition
Philology
Século XVI
Sodomia
Sodomy
Descripción
Sumario:Clara Fernandes e Catarina Luís foram processadas pela Inquisição portuguesa, sendo acusadas de sodomia por terem se relacionado sexualmente com mulheres. Catarina o teria feito com apenas uma mulher, enquanto Clara confessou que se envolvera com quatro. Visando contribuir com o estudo do homoerotismo feminino, a presente dissertação tem como objetivo principal as edições digitais (diplomática, semidiplomática e modernizada) por meio do eDictor (Paixão de Sousa; Kepler; Faria, 2013) do \"Processo de Clara Fernandes\" e do \"Processo de Catarina Luís\", bem como a disponibilização dos mesmos online em um website elaborado para esse fim. As edições e a análise do material seguem os preceitos da Filologia e de suas disciplinas afins. Destacam-se as análises paleográficas dos processos, já que os punhos que os escreveram possuem marcas de hibridação entre as grafias Gótica e Humanística, o que foi cautelosamente descrito. Por serem os únicos processos inquisitoriais de sodomia homoerótica feminina em Portugal atualmente conhecidos e por termos acesso a poucos casos de atos sexuais entre mulheres no amplo período em que o pecado nefando foi crime para a Justiça Secular, sendo também julgado pelas Justiças Eclesiástica e Inquisitorial, as edições são um meio de tornar os processos acessíveis a pesquisadoras e pesquisadores, bem como a um público mais amplo, para renovar a compreensão da história, por meio das evidências presentes nos documentos