“O nosso papel é ser ao menos um que não”: sobre as práticas e saberes de psicólogas em relação a sobreviventes de violência sexual que optam pelo aborto legal

Tradicionalmente a psicologia tem se mantido distante das discussões relacionadas aos direitos sexuais e direitos reprodutivos, apesar de dedicar-se à produção teórica acerca da subjetividade das mulheres, focando, principalmente, na maternidade, como algo inerente a esta constituição. Enquanto outr...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Lorena de Brito Marcelino Pereira
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Repositorio:Repositório Institucional da UFMG
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufmg.br:1843/82550
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/1843/82550
https://orcid.org/0009-0009-8305-527X
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Aborto legal
Direitos sexuais e direitos reprodutivos
Psicologia
Saúde Pública
Feminismo Negro
Feminismo Decolonial
Descripción
Sumario:Tradicionalmente a psicologia tem se mantido distante das discussões relacionadas aos direitos sexuais e direitos reprodutivos, apesar de dedicar-se à produção teórica acerca da subjetividade das mulheres, focando, principalmente, na maternidade, como algo inerente a esta constituição. Enquanto outros eventos recorrentes na vida reprodutiva das mulheres, como o aborto, são desconsiderados, mesmo quando estamos inseridos nas equipes mínimas de atuação em saúde sexual e saúde reprodutiva no Sistema Único de Saúde. O objetivo geral desta pesquisa consistiu em analisar como tem se dado a atuação das psicólogas dos serviços de saúde da cidade de Belo Horizonte em relação à interrupção de gestação prevista em lei. Como objetivos específicos, foram consideradas as seguintes questões: conhecer o processo formativo das psicólogas da rede de assistência à saúde de Belo Horizonte; compreender quais os saberes e fazeres das psicólogas que atuam em serviços de saúde sobre o aborto legal; verificar se e como a prática psicológica reconhece, corrobora e/ou impede a violência institucional contra as mulheres em situações de abortamento legal. A metodologia empregada foi a da psicologia feminista que se encontra interessada na produção de subjetividades, ações e em teorias feministas, buscando uma explicação mais adequada da realidade. Para a produção dos dados, foram realizadas 10 entrevistas narrativas com psicólogas que atuam nos serviços de saúde do SUS de Belo Horizonte. Para chegar até essas trabalhadoras, foi utilizada a técnica da bola de neve, que consiste em uma cadeia de indicações de participantes para a pesquisa. Por meio da análise das entrevistas, foi possível identificar que a formação ofertada nos cursos de graduação em psicologia ainda possui um viés voltado para a prática clínica em consultório, sendo incipientes as discussões acerca da atuação nas políticas públicas, sobretudo as direcionadas aos direitos sexuais e direitos reprodutivos. Esse vazio no percurso formativo básico leva as psicólogas a utilizarem de técnicas aprendidas que não necessariamente fornecem os subsídios necessários para trabalhar nessas políticas. Enquanto outras, somaram o conhecimento adquirido a partir de outras experiências, como a participação nos movimentos de mulheres e trabalhos voluntários, para potencializar a prática exercida nesses espaços. Também observou-se que atuar com mulheres em situação de abortamento em um país onde o procedimento é criminalizado e ilegal traz sofrimento para as usuárias atendidas e também para as psicólogas, que possuem clareza quanto às limitações impostas a suas práticas e possibilidades de acolhimento e construção de projetos terapêuticos. No que tange ao trabalho realizado por essas profissionais, percebeu-se que a maioria possui uma discurso alinhado com a defesa dos direitos das mulheres em relação ao próprio corpo, do entendimento sobre o estigma e preconceito que marca as discussões sobre o aborto no país. No entanto, essa pauta mostra-se desconectada de outros marcadores, sobretudo o de raça, o que aponta para um saber e prática psicológica distanciada das questões que marcam a construção subjetiva das mulheres brasileiras.