Hermenêutica política: a contribuição de Hannah Arendt à hermenêutica filosófica

Uma das consequências da difundida recepção da filosofia pós-estruturalista, particularmente do trabalho Michel Foucault, consiste na consciência crítica da dimensão política da verdade. Apesar de necessária, essa nova consciência também promoveu uma concepção enganosa da verdade que tende a igualar...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Braga Filho, José Valdir Teixeira
Tipo de recurso: artículo
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2020
País:Brasil
Institución:Universidade Federal do Ceará (UFC)
Repositorio:Repositório Institucional da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.ufc.br:riufc/53439
Acceso en línea:http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/53439
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Hermenêutica política
Hermenêutica filosófica
Arendt, Hannah, 1906-1975
Descripción
Sumario:Uma das consequências da difundida recepção da filosofia pós-estruturalista, particularmente do trabalho Michel Foucault, consiste na consciência crítica da dimensão política da verdade. Apesar de necessária, essa nova consciência também promoveu uma concepção enganosa da verdade que tende a igualar verdade com poder. Essa concepção é enganosa, porque o importante insight de que, de fato, verdade e poder podem estar relacionados de várias maneiras, perde-se em uma generalização superficial que causa mais dano do que benefício à uma compreensão [Verstehen] adequada sobre o que está em jogo. Uma das consequências prejudiciais da convicção de que a verdade é igual ao poder, consiste em desacreditar atos como, meramente, invenções interpretativas que são trajadas como fatos inegáveis por aqueles que estão no poder, como políticos e cientistas. Embora baseado em um insight valioso, neste caso, o reconhecimento de que fato e interpretação são inseparáveis, leva tal insight a se perder novamente no gesto generalizado de desacreditar o valor verdadeiro dos fatos. Isso ocorreu de modo particularmente danoso nos debates sobre fatos políticos e científicos. A convicção de que fatos são invenções interpretativas evita qualquer discussão produtiva sobre a verdade e o sentido dos fatos. Além disso, ela também instala um tipo niilista de relativismo, isto é, um relativismo que rejeita a verdade factual em favor de uma diversidade de perspectivas subjetivas, opiniões, interpretações e similares. [...]