A dimensão humana na conservação ambiental: uma análise multidimensional da relação entre parques estaduais e comunidades próximas

A criação de áreas protegidas é uma estratégia para conservação ambiental utilizada no mundo todo. Porém, desde sua concepção foi marcada por conflitos e injustiças sociais derivados de uma visão de conservação segregada das dimensões humanas. No Brasil, os parques são um exemplo de área protegida n...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Ferreira, Bruna Lima
Formato: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2022
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-12072022-152141
Acesso em linha:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59134/tde-12072022-152141/
Access Level:acceso abierto
Palavra-chave:Conservação biológica
Environmental conservation
Environmental management
Environmental perception
Gestão ambiental
Governança
Governance
Percepção ambiental
Protected areas
Unidade de conservação
Descrição
Resumo:A criação de áreas protegidas é uma estratégia para conservação ambiental utilizada no mundo todo. Porém, desde sua concepção foi marcada por conflitos e injustiças sociais derivados de uma visão de conservação segregada das dimensões humanas. No Brasil, os parques são um exemplo de área protegida no qual essa segregação é evidente. Por um lado, não é permitido o uso direto de recursos naturais, por outro, são permitidos o uso público e a educação ambiental. Essa dinâmica de proibições e possibilidades deve ser considerada, pois as experiências atreladas a estas áreas podem representar a forma como vemos e nos relacionamos com a natureza. Nesse cenário, investiguei as relações entre a gestão de áreas protegidas e as comunidades em seu entorno utilizando referenciais teóricos vinculados à psicologia e à governança. Para isso, utilizei metodologias de coleta de dados baseadas em entrevistas semiestruturadas com 26 gestores de parques estaduais, questionários (direcionados aos gestores e a uma comunidade próxima ao Parque Aguapeí) e análises documentais de legislações e portarias. Analisei a composição dos conselhos e a percepção dos gestores sobre estes espaços de participação social, destacando seus principais desafios (como falta de capacitação e motivação de conselheiros) e vantagens (como apoio à gestão). Ainda, a relação entre a gestão do parque e as comunidades foi analisada sob a perspectiva dos gestores. Para a maioria deles (84,62%), a relação, no geral, é positiva, mas há desafios relacionados à comunicação com o entorno, ocupação irregular, turismo e uso público desordenado, a caça e a extração vegetal. A irregularidade fundiária também foi mencionada e foi fator recorrentemente citado neste trabalho como um empecilho à boa relação com as comunidades. Benefícios da relação parque-comunidades também foram citados, como parcerias e os serviços ecossistêmicos. A comunidade próxima ao Parque Aguapeí possui atitudes positivas em relação ao parque, porém não há envolvimento dos comunitários na gestão do parque. Ademais, foram identificados elementos importantes para a relação parque-comunidades, como: a diversidade e quantidade de comunidades na região; o histórico, localização e características físicas do parque; a existência e atualização do plano de manejo; existência, composição e funcionamento do conselho consultivo; o tamanho da equipe para gestão do parque; a disponibilidade de recursos; expectativas da gestão para participação das comunidades em atividades e gestão; características das comunidades na região (perfil socioeconômico, cultura, dependência da comunidade com o parque, organização comunitária, conhecimento e a percepção das pessoas sobre o parque e o sentimento de pertencimento das pessoas da comunidade com o parque e região); além de elementos relacionados a comunicação entre as partes e aos benefícios e problemas percebidos (tanto pela equipe gestora, quanto pelo entorno). Ao longo de toda dissertação pontuei discussões pertinentes e recomendações baseadas nos resultados obtidos, dentre eles: a necessidade de pautar as práticas da gestão nos princípios de boa governança e a necessidade, não só de reduzir barreiras a boa relação, mas também de ressaltar os benefícios advindos da relação e da existência do parque.