Numa terra estranha: sonho, diferença e alteração entre os Tikmũ’ũn (Maxakali)

A ideia de que o sonho seja qualquer coisa como uma “viagem da alma” é de uma recorrência etnográfica impressionante. O que se entende por “viagem” e “alma” nos mais variados contextos está longe, contudo, de ser algo evidente. Os Tikmũ’ũn, mais conhecidos como Maxakali (MG), costumam igualmente d...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Ribeiro Júnior, Roberto Romero
Tipo de documento: artigo
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2022
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Revista de antropologia (São Paulo. Online)
Idioma:português
OAI Identifier:oai:revistas.usp.br:article/195930
Acesso em linha:https://revistas.usp.br/ra/article/view/195930
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Sonhos
perspectivismo
xamanismo
parentesco
Maxakali
Dreams
perspectivism
shamanism
kinship
Descrição
Resumo:A ideia de que o sonho seja qualquer coisa como uma “viagem da alma” é de uma recorrência etnográfica impressionante. O que se entende por “viagem” e “alma” nos mais variados contextos está longe, contudo, de ser algo evidente. Os Tikmũ’ũn, mais conhecidos como Maxakali (MG), costumam igualmente descrever sua experiência onírica como um deslocamento da “alma” (koxuk) por caminhos tortuosos e perigosos que costumam desembocar nas terras estranhas onde vivem seus parentes mortos e de onde o retorno nem sempre é fácil, se é mesmo possível. Porém, mais do que isso, é curioso notar como a experiência da viagem e do deslocamento, entre eles, possui paralelos com a sua experiência onírica. Desse modo, não somente o sonho é algo como uma “viagem” como suas viagens parecem remeter – bem como a estimular – a experiência onírica. Neste artigo, pretendo explorar estes paralelos entre “sonho” e “viagem”, bem como aqueles entre “sonho”, “corpo”, “doença” e “morte”.