O ateísmo virtuoso: experiência e moral em Pierre Bayle

O objetivo deste trabalho é a reflexão sobre a relação positiva erigida por Pierre Bayle entre ateísmo e virtude, no qual interrogamos sobre os supostos laços indissolúveis entre sociedade e religião, sobre as bases da crença, as práticas religiosas no decorrer da história e o valor da opinião colet...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Primo, Marcelo de San'Anna Alves
Tipo de documento: tese
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2014
País:Brasil
Recursos:Universidade Federal da Bahia (UFBA)
Repositório:Repositório Institucional da UFBA
Idioma:português
OAI Identifier:oai:repositorio.ufba.br:ri/41293
Acesso em linha:https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41293
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:CNPQ::CIENCIAS HUMANAS
Bayle
Ateísmo
Experiência
Virtude
Athéisme
Expérience
Vertu
Descrição
Resumo:O objetivo deste trabalho é a reflexão sobre a relação positiva erigida por Pierre Bayle entre ateísmo e virtude, no qual interrogamos sobre os supostos laços indissolúveis entre sociedade e religião, sobre as bases da crença, as práticas religiosas no decorrer da história e o valor da opinião coletiva, consistindo em mostrar o papel da experiência nos Pensées diverses sur la comète, na Continuation des Pensées diverses e na Réponse aux questions d’un provincial, obras nas quais o arsenal crítico de Bayle ampara-se no recurso à história, indo de encontro à tradicional depreciação da imagem dos ateus no decorrer dos tempos. O filósofo de Carla recorre à experiência para constatar que o conhecimento de um deus e bons costumes nem sempre teve uma correlação necessária, à medida que o temor ou adoração a uma divindade está longe de corrigir a corrupção natural do homem passando em revista toda e qualquer asserção de caráter dogmático e enviesado, características da idolatria e da superstição; no segundo, trato da indagação feita por Bayle se, em todos os tempos e lugares, a ideia de deus esteve presente entre os homens e se esta ideia é inata no homem, inviabilizando a possibilidade da existência um ateísmo especulativo; e no terceiro capítulo, abordarei quando Bayle vai citar ateus especulativos antigos e modernos que, a despeito de suas convicções filosóficas, nunca deixaram de agir virtuosamente e de acordo com os deveres morais. Nesse sentido, nosso trabalho mostra um outro Bayle: o que jamais deixou de recorrer à experiência para desmistificar determinadas opiniões que se propagaram ao longo dos tempos, como por exemplo, a clássica associação entre ateísmo e degeneração dos costumes.