Cultura, identidade e subjetividade em uma comunidade quilombola: uma etnografia na Comunidade Kalunga

A existência dos quilombos no Brasil evidencia a ideia de que a escravidão ocorreu a partir de relações violentas e hostis. A distribuição dos escravizados e o tráfico se deram em grandes proporções em nosso território e ressalta a relevância da escravidão para a constituição e formação histórico-cu...

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Detalles Bibliográficos
Autor: FURTADO, Marcella Brasil.
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2013
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:dspace.sti.ufcg.edu.br:riufcg/44339
Acceso en línea:https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/44339
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Comunidade Quilombola Kalunga - Cavalcante - GO
Etnografia
Mulheres quilombolas
Programa de Pós-Graduação em Processos do Desenvolvimento Humano e Saúde - UNB - dissertação
Identidade quilombola
Dissertação - Programa de Pós-Graduação em Processos do Desenvolvimento Humano e Saúde - UNB
Cavalcante - GO - Kalungas - quilombolas
Cultura
Kalunga - comunidade quilombola
Remanescentes quilombolas
Kalungas - Tocantins
Kalunga Quilombola Community - Cavalcante - GO
Ethnography
Quilombola Women
Postgraduate Program in Human Development and Health Processes - UNB - dissertation
Quilombola Identity
Dissertation - Postgraduate Program in Human Development and Health Processes - UNB
Cavalcante - GO - Kalungas - Quilombolas
Culture
Kalunga - Quilombola Community
Quilombola Remnants
Psicologia.
Descripción
Sumario:A existência dos quilombos no Brasil evidencia a ideia de que a escravidão ocorreu a partir de relações violentas e hostis. A distribuição dos escravizados e o tráfico se deram em grandes proporções em nosso território e ressalta a relevância da escravidão para a constituição e formação histórico-cultural da identidade brasileira. A manifestação típica da insubordinação negra diante das repressões evidenciadas foi o que se convencionou chamar de Quilombo.Considerados como expressão de ruptura e de núcleos paralelos de organização social, os quilombos eram uma forma resistência e um posicionamento ativo de escravos diante de o contexto que os oprimia. Apesar dessa opressão, a resistência se manteve e os quilombolas se estabeleceram em inúmeras regiões brasileiras, criaram estratégias, adaptaram-se e formaram suas comunidades predominantemente constituídas por negros. Devido ao passado de escravidão, lutas, fugas e constituição de quilombos, o universo simbólico das referidas comunidades pode ser analisado para se delinear a lógica social que organiza as relações sociais entre os sujeitos. Os kalungas que habitam a Serra Geral do Planalto Central e Sul do Tocantins são considerados como remanescentes quilombolas, descendentes de ex-escravos. Com uma identidade cultural própria, configurada a partir do imaginário social construído por seus sujeitos, observa-se que a interação, o convívio e o isolamento incidiram na cultura, na identidade e subjetividade dos mesmos. A cultura é compreendida como um sistema de códigos que comunica o sentido das regras a fim de orientar as relações sociais. Assim a análise consistente da cultura kalunga enfoca as características culturais e realidades do contexto em questão, com suas especificidades, saberes e fazeres próprios desse grupo. A identidade é compreendida como o produto da ação do próprio indivíduo e da sociedade a que faz parte, se formando na confluência de forças sociais e nas quais o indivíduo atua e se constrói a si mesmo. A subjetividade, por sua vez, se refere ao que é singular e único de cada indivíduo, relacionando-se a apreensão singular do mundo material e fundamenta o psiquismo. Tomamos como referência a Psicologia histórico-cultural para compreendermos como, em condições determinadas, os homens produzem e dão significado à sua existênciaao compartilhar conteúdos simbólico-afetivos. O objetivo geral deste trabalho foi compreender como os Kalungas, remanescentes de quilombolas e oriundos do município de Cavalcante-GO, lidam com a sua cultura, com a identidade e a subjetividade quilombola na atualidade. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com adultos kalungas oriundos da região de Cavalcante e que se encontram atualmente habitando regiões vizinhas; com adultos kalungas que vivem na comunidade do Vão de Almas e do Vão do Moleque; e com adultos não-kalungas que moram na região e mantém vínculo com os kalungas. Além disso, foram feitas oficinas com crianças das comunidades citadas com a utilização de desenhos, brincadeiras e contação de histórias.A análise produzida baseou-se no método de análise de conteúdo, constituindo zonas de sentido e unidades de significação. Consideramos que essa pesquisa contribui para compreender a relação entre cultura, identidade e subjetividade como um processo, em que o sujeito é ativo e constrói suas concepções em e na relação com outros indivíduos. Assim, ao transformar e ser transformado pelo que compreende; atua e constrói a si mesmo, ao mesmo tempo em que projeta em suas identidades culturais, os significados e os valores absorvidos, tornando-os parte deles mesmos.