Por uma poética do havido: um estudo sobre os Cadernos de João Guimarães Rosa
O presente estudo debruça-se sobre um mapa-labirinto das práticas escriturais de João Guimarães Rosa, com o intento de perspectivar tal gesto como experiência e acontecimento, afirmando o caráter dessubjetivador da escrita quando endereçada aos vestígios, ruínas e estilhaços de uma existência sempre...
| Autor: | |
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| Tipo de recurso: | tesis de maestría |
| Estado: | Versión publicada |
| Fecha de publicación: | 2025 |
| País: | Brasil |
| Institución: | Universidade de São Paulo (USP) |
| Repositorio: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Idioma: | portugués |
| OAI Identifier: | oai:teses.usp.br:tde-24042025-103843 |
| Acceso en línea: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-24042025-103843/ |
| Access Level: | acceso abierto |
| Palabra clave: | Escrita; Experiência; Educação; João Guimarães Rosa Writing; Experience; Education; João Guimarães Rosa |
| Sumario: | O presente estudo debruça-se sobre um mapa-labirinto das práticas escriturais de João Guimarães Rosa, com o intento de perspectivar tal gesto como experiência e acontecimento, afirmando o caráter dessubjetivador da escrita quando endereçada aos vestígios, ruínas e estilhaços de uma existência sempre em refazimento. Para isso, foi composto um lócus empírico contendo 27 Cadernos de Estudos do escritor, por meio dos quais foi possível observar a mobilização da imaginação taxonômica atrelada a certa ideia de poética do havido, esta capaz de engendrar uma potência estilizadora de vida. Anteriormente a isso, realizou-se um levantamento temático sobre o acervo de João Guimarães Rosa presente no Instituto de Estudos Brasileiros da USP, onde estão preservados os Cadernos; daí derivaram as incursões teóricas e metodológicas da pesquisa no solo do pensamento foucaultiano e, mais especificamente, nas noções de arquivo e de experiência-ficção-escrita. A escolha de trabalhar com esse acervo permitiu também tensionar a discursividade presente no campo educacional brasileiro no que diz respeito à ideia de gênio e de originalidade, em contraponto ao labor pertinente à prática escritural. O estudo desdobra-se, na sequência, em um panorama geral do acervo rosiano, a fim de dar a ver o movimento que se operou até a definição final da empiria, sendo esta dividida em quatro estratos: artesania; animais e plantas; impulsos taxonômicos e notas de leitura. A atenção constante e demorada do autor do Grande Sertão: Veredas sobre as coisas do mundo, atrelada aos exercícios de escrita, performava um modo de vida outro, sustentado por certa ética do olhar. Tais aspectos constam das correspondências do escritor com seus tradutores e dos próprios livros quando finalizados, pois os Cadernos apontam também para um pendor arquivístico de Rosa, uma vez que, neles, o escritor reunia as elaborações, pesquisas, verbetes, frases, expressões e situações que seriam tratadas, mais tarde, em suas criações. Por fim, cogita-se a prática da escrita pelo arquivo como ponte capaz de instaurar e movimentar os vestígios deixados por aqueles que se foram àqueles que aqui permanecem. |
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