Avaliação de níveis séricos de citocinas em trabalhadores expostos ao vapor de Mercúrio na cidade de Itaituba-PA, Brasil

A exposição ao mercúrio e seus efeitos no sistema imune tem sido evidenciados em garimpeiros e ribeirinhos, que tem o peixe como principal fonte de proteína. Uma das alterações observadas é no nível sérico de citocinas, inflamatórias e anti-inflamatórias, interpretados como biomarcadores de disfunçã...

Full description

Bibliographic Details
Author: Almeida, Patrícia Sousa Moraes de
Format: master thesis
Status:Published version
Publication Date:2023
Country:Brasil
Institution:Instituto Evandro Chagas (IEC)
Repository:Repositório Digital do Instituto Evandro Chagas (Patuá)
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:patua.iec.gov.br:iec/6939
Online Access:https://patua.iec.gov.br/handle/iec/6939
Access Level:Open access
Keyword:Mercúrio / toxicidade
Sistema Imunitário / química
Citocinas / análise
Itaituba (PA)
Description
Summary:A exposição ao mercúrio e seus efeitos no sistema imune tem sido evidenciados em garimpeiros e ribeirinhos, que tem o peixe como principal fonte de proteína. Uma das alterações observadas é no nível sérico de citocinas, inflamatórias e anti-inflamatórias, interpretados como biomarcadores de disfunção imune. Este estudo ojetivou avaliar variações no perfil de citocinas em relação aos níveis de mercúrio em trabalhadores expostos ao vapor de mercúrio na cidade de Itaituba, estado do Pará. Foi desenvolvido estudo observacional transversal com questionário epidemiológico semiestruturado e coleta de amostras de sangue e urina. As análises de mercúrio total em sangue (HgT-S) e urina (HgT-U) foram realizadas por espectrometria de absorção atômica por vapor frio (CVAAS) e as análises séricas de citocinas por citometria de fluxo. Participaram do estudo 115 indivíduos, sendo 54 trabalhadores de comercialização de ouro (grupo exposto) e 61 trabalhadores de repartições públicas (grupo não exposto). A mediana dos níveis de mercúrio na urina dos expostos (5,40 µg/g creatinina) foi 3,6 vezes maior que os níveis em não expostos (1,49 µg/g creatinina) (p<0,0001), não havendo diferença entre os grupos quanto aos níveis em sangue. As medianas das citocinas IL-2, IL-6, IL-10 e INF-γ mostraram-se maiores no grupo de expostos, quando comparadas com o grupo não exposto (p< 0,05). Para o grupo exposto, os níveis de HgT-U correlacionaram-se com os níveis das citocinas IL-10 e IL-2 (p< 0,05). No modelo de regressão logística, observou-se associação entre os níveis de HgT-U com os níveis de IL-4 no grupo exposto e com IL-1β e IL-13 no grupo não exposto (p< 0,05). As concentrações de HgT-S mostraram associação com os níveis de IL-17 nos expostos e com IL-13 e TNF-α nos não expostos (p< 0,05). Morbidade recente (≤30 dias), mostrou associação com IL-17 no grupo exposto e com IL-2 nos não expostos (p< 0,05). Os resultados demonstraram aumento nos níveis de citocinas nos expostos e associação dos teores de mercúrio em sangue e em urina com citocinas pró (IL-2, IL-1β, TNFα, IL-17) e antinflamatórias (IL-10, IL-4, IL-13) nos grupos, sendo que as citocinas antiinflamatórias predominaram nos expostos, corroborando possíveis evidências de ação imunotóxica do mercúrio.