Influência de gradientes ambientais nos padrões de diversidade das comunidades campestres nos Campos de Cima da Serra, RS, Brasil

Os Campos de Cima da Serra são uma das principais tipologias dos Campos Sulinos e seus remanescentes ocupavam, em 2002, uma área de 7.653 km2. Eles coexistem com manchas de floresta com Araucária, sendo que o clima atual gera uma tensão permanente ao favorecer o adensamento com arbustos e o avanço d...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Vélez Martin, Eduardo
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2012
País:Brasil
Institución:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:www.lume.ufrgs.br:10183/221491
Acceso en línea:http://hdl.handle.net/10183/221491
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Vegetação campestre
Pastagem
Diversidade
Partição de diversidade
Análise de redundância
Beta diversity
Diversity partitioning
Grassland community
Redundancy Analysis
South Brazilian Campos
Descripción
Sumario:Os Campos de Cima da Serra são uma das principais tipologias dos Campos Sulinos e seus remanescentes ocupavam, em 2002, uma área de 7.653 km2. Eles coexistem com manchas de floresta com Araucária, sendo que o clima atual gera uma tensão permanente ao favorecer o adensamento com arbustos e o avanço da colonização florestal. Por outro lado, estão sujeitos a um intenso regime de distúrbios (pastejo e queimadas periódicas), que detém a colonização de espécies lenhosas e afeta profundamente a estrutura das comunidades campestres. As consequências destes processos sobre a diversidade dessas comunidades campestres ainda não são totalmente compreendidas. Os principais objetivos do estudo incluíram: a descrição da diversidade florística e da composição funcional, a identificação de tipos de comunidades e de suas espécies indicadoras. Também foi avaliada a influência relativa de um conjunto de variáveis ambientais (clima, solos, geomorfologia da paisagem e topografia local) e de fatores espaciais para modelar a riqueza de espécies e a diversidade β. Além disso, buscou-se identificar as escalas espaciais com as maiores variações na diversidade β. Um estudo regional foi conduzido com amostragem de 320 parcelas em um delineamento aleatório estratificado e aninhado, de forma a incluir gradientes ambientais numa amplitude geográfica de 160 km de latitude e 170 km de longitude. Foi utilizada Análise de Redundância (RDA) e Análise de Redundância parcial (pRDA) para decompor as influências relativas dos fatores ambientais e espaciais sobre a diversidade β e sobre a riqueza de espécies. Os fatores espaciais foram avaliados com base na Análise de Coordenadas Principais de Matrizes Vizinhas (PCNM). Para decompor a diversidade γ nos componentes α e β foi utilizada a partição aditiva da diversidade considerando cinco escalas espaciais: parcelas (320), transecções (64), sítios (16), sub-regiões (8) e regiões (4), seguida de aleatorizações baseadas em modelos nulos para testar se os valores observados foram casuais. A magnitude e a extensão da correlação espacial na composição das espécies foram avaliadas com o correlograma de Mantel. Um total de 390 táxons pertencentes a 53 famílias foi registrado. Quatro tipos de comunidades foram identificados e a alta riqueza de espécie na escala das parcelas, além da alta riqueza de herbáceas não graminóides foram características indicadoras do regime geral de distúrbios. Um total de 41,4 % da variação na composição das comunidades foi explicado pelas variáveis ambientais e espaciais utilizadas. O efeito dos gradientes ambientais representou cerca de um terço da variação total, sendo na maior parte espacialmente estruturado. A fração espacial pura representou apenas 5,7 % da variação total. A fração das variáveis ambientais sem estrutura espacial foi também baixa. As variáveis representando gradientes de clima e tipos de solo sobrepujaram o efeito da topografia local. A temperatura anual média, a sazonalidade da temperatura e o tipo de solo foram as principais variáveis selecionadas para modelar a diversidade β. A partição aditiva da diversidade revelou que a maior proporção da diversidade β ocorreu em escalas mais amplas, com 46,3% da diversidade total representada pela escala de regiões. A alta proporção de espécies pouco frequentes sugere que áreas protegidas de grandes dimensões são necessárias para representar a maioria das espécies, entretanto os resultados de diversidade β demonstraram que sua efetividade para conservar a diversidade seria incrementada se a área a ser conservada fosse dividida entre as quatro regiões amostradas. Um artigo final de opinião complementou o trabalho com o argumento de que os distúrbios são essenciais para conservar a diversidade dos campos e devem ser reintroduzidos nas áreas protegidas que protegem os campos com ações específicas de manejo.